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28 maio 2015

Pegadas na Areia ~ Mary Stevenson

Uma noite eu tive um sonho. Sonhei que estava andando na praia com o Senhor. E através do Céu, passavam cenas da minha vida.
 Para cada cena que se passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia;
 Um era meu e o outro do Senhor.

Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadasna areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida havia apenas um par de pegadas.
 Notei também, que isso aconteceu nos momentosmais difíceis do meu viver.
 Isso entristeceu-me deveras, e perguntei
 então ao Senhor.
“Senhor, Tu me disseste que, uma vez
 que eu resolvi Te seguir, Tu andarias sempre
 comigo mas notei que
 durante as maiores atribulações do meu viver havia na areia dos caminhos da vida,
 apenas um par de pegadas. Não compreendo
 porque nas horas que mais necessitava de Ti,
 Tu me deixastes.”
O Senhor me respondeu: “ Meu  filho. Eu te amo e jamais te deixaria nas horas da tua prova e do teu sofrimento quando vistes na areia, apenas um par
 de pegadas,  foi exatamente aí que EU,
 nos braços…Te carreguei.”
Esse poema foi escrito por Mary Stevenson em 1936.  Mary era jovem e não viu a necessidade de copyright. Passou o poema para os amigos que precisavam de uma mensagem de apoio. Em 1984, amigos de Mary encontraram uma cópia do poema e após exames forenses de autenticidade, foi dado o copyright para Mary Steverson.

16 maio 2015

De Joelhos ~ Florbela Espanca

Bendita seja a Mãe que te gerou. 
Bendito o leite que te fez crescer 
Bendito o berço aonde te embalou 
A tua ama, pra te adormecer! 

Bendita essa canção que acalentou 
Da tua vida o doce alvorecer ... 
Bendita seja a Lua, que inundou 
De luz, a Terra, só para te ver … 


Benditos sejam todos que te amarem, 
As que em volta de ti ajoelharem 
Numa grande paixão fervente e louca! 

E se mais que eu, um dia, te quiser 
Alguém, bendita seja essa Mulher, 
Bendito seja o beijo dessa boca!! 

13 maio 2015

Mater-Amorosa ~ Diane Faria


Ó ruidosa realidade
Que me faz soluçar,
Vem, preciso ensinar-te a amar;
Sou Mater-Amorosa,
Sou mãe dos aflitos,
Trago a alma grandiosa
Lá dos infinitos,
Beija-me silenciosamente
Como o mar beija a areia,
Sou mensageira misteriosa,
Sou mãe de toda gente;
Canto mas não sou sereia,
Trago o manto da verdade para cubrir toda a humanidade.

The Virgin Of The Grapes 1640 ~ Pierre Mignard 

02 abril 2015

Martha Medeiros


Morre lentamente, quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente, quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito e do trabalho, repetindo todos os dias o mesmo trajeto, quem não muda as marcas no supermercado, não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o “preto no branco” e os “pontos nos is” a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeções, sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não tentando um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. 
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples ato de respirar. Estejamos vivos, então! 

27 março 2015

Diane Faria

               
Lembranças da minha infância,
Inconsciência da existência;
Livros, contos e poesias,
Flores no altar da fé,
As árvores e as frutas colhidas do pé,
Risadas no pátio do colégio espantavam o tédio;
Brincadeiras juvenis,
Ensinamentos sutis.
Não pretendo revivê-las,
Percebi que tudo o que se vive é efêmero embora pareça eterno e verdadeiro;
Quero apenas a saudade
do que outrora foi minha realidade.
Trago comigo ondas sucessivas de emoções,
Uma angústia por confissões,
A melancolia da lua que me espia,
O brilho da estrela guia,
A caricia do vento que me fortalece,
                E a infinita alegria do sol que me aquece.

23 fevereiro 2015

Manoel de Barros

O menino que carregava água na peneira
Tenho um livro sobre águas e meninos.
 Gostei mais de um menino
 que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
 era o mesmo que roubar um vento e 
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo
 que catar espinhos na água. 
O mesmo que criar peixes no bolso. O menino era ligado em despropósitos.
 Quis montar os alicerces
 de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino 
gostava mais do vazio, do que do cheio.
 Falava que vazios são maiores e até infinitos. Com o tempo aquele menino 
que era cismado e esquisito,
 porque gostava de carregar água na peneira. Com o tempo descobriu que
 escrever seria o mesmo
 que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
 que era capaz de ser noviça, 
monge ou mendigo ao mesmo tempo. O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
 E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
 O menino fazia prodígios.
 Até fez uma pedra dar flor. A mãe reparava o menino com ternura. 
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
 Você vai carregar água na peneira a vida toda.Você vai encher os vazios
 com as suas peraltagens,
 e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

Adélia Prado

A experiência amorosa exige sacrifício. Não se ama para ser recompensado. O amor é sua própria recompensa. Não resisto em citar Drummond falando da poesia coisa parecida: “Poesia, o perfume que exalas é tua justificação”. 


Não há amor fácil, mas todo amor é maravilha, saúde, “remédio contra a loucura”, coisa que Guimarães Rosa ensinou. É a experiência humana mais exigente; não é contrato, troca de favores, investimento, é entrega e compromisso. Do “sacrifício”de amar nasce a mais perfeita alegria. Ninguém faz cara feia quando se sacrifica por amor. Não se trata de anulação, subserviência de quem ama, trata-se da morte do ego, tarefa a ser feita até o último suspiro.


Sobre Adélia Prado:

Escritora e poeta mineira de Divinópolis. Sua obra recria com uma linguagem despojada e direta, frequentemente lírica, o cotidiano das coisas simples. No início dos anos 70, publica seus primeiros poemas em jornais de sua cidade e de Belo Horizonte. Em 1971 divide com Lázaro Barreto a autoria do livro A Lapinha de Jesus. Sua estréia individual acontece em 1976, com Bagagem, livro que chama a atenção da crítica pela originalidade e pelo estilo. 
"Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis."

Fique Comigo ~ Harlan Coben

Megan Pierce, antes conhecida como Cassie, vive com o Marido e os dois filhos em uma confortável casa. Do passado ela lembra que quer esq...