23 fevereiro 2015

Manoel de Barros

O menino que carregava água na peneira
Tenho um livro sobre águas e meninos.
 Gostei mais de um menino
 que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
 era o mesmo que roubar um vento e 
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo
 que catar espinhos na água. 
O mesmo que criar peixes no bolso. O menino era ligado em despropósitos.
 Quis montar os alicerces
 de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino 
gostava mais do vazio, do que do cheio.
 Falava que vazios são maiores e até infinitos. Com o tempo aquele menino 
que era cismado e esquisito,
 porque gostava de carregar água na peneira. Com o tempo descobriu que
 escrever seria o mesmo
 que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
 que era capaz de ser noviça, 
monge ou mendigo ao mesmo tempo. O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
 E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
 O menino fazia prodígios.
 Até fez uma pedra dar flor. A mãe reparava o menino com ternura. 
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
 Você vai carregar água na peneira a vida toda.Você vai encher os vazios
 com as suas peraltagens,
 e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

Adélia Prado

A experiência amorosa exige sacrifício. Não se ama para ser recompensado. O amor é sua própria recompensa. Não resisto em citar Drummond falando da poesia coisa parecida: “Poesia, o perfume que exalas é tua justificação”. 


Não há amor fácil, mas todo amor é maravilha, saúde, “remédio contra a loucura”, coisa que Guimarães Rosa ensinou. É a experiência humana mais exigente; não é contrato, troca de favores, investimento, é entrega e compromisso. Do “sacrifício”de amar nasce a mais perfeita alegria. Ninguém faz cara feia quando se sacrifica por amor. Não se trata de anulação, subserviência de quem ama, trata-se da morte do ego, tarefa a ser feita até o último suspiro.


Sobre Adélia Prado:

Escritora e poeta mineira de Divinópolis. Sua obra recria com uma linguagem despojada e direta, frequentemente lírica, o cotidiano das coisas simples. No início dos anos 70, publica seus primeiros poemas em jornais de sua cidade e de Belo Horizonte. Em 1971 divide com Lázaro Barreto a autoria do livro A Lapinha de Jesus. Sua estréia individual acontece em 1976, com Bagagem, livro que chama a atenção da crítica pela originalidade e pelo estilo. 
"Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis."

20 fevereiro 2015

TRILOGIA JOGOS VORAZES ~ Suzanne Collins

O primeiro livro da trilogia: JOGOS VORAZES ~ SUZANNE COLLINS

Após o fim da América do Norte, uma nova nação, formada por 12 distritos, surge,  a chamada Panem.

Para lembrar os habitantes de Panem, quem controla o país, todos os anos a Capital prepara uma competição, onde somente um dos participantes sobrevive. 

Os jogos Vorazes é uma forma de celebrar a vitória de Panem sobre o antigo distrito 13, dizimado na guerra.

A escolha dos participantes dos jogos é feita, através de um sorteio nos 11 distritos, a Capital não participa. Os representantes sorteados (jovens de 12 a 18 anos), um do sexo masculino e outro do sexo feminino, vão para a Capital, onde são preparados com roupas, boa comida, treinamento e um técnico para acompanha-los durante os jogos.

Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, nossa protagonista Katniss Everdeen se oferece para participar em seu lugar. 

Vinda do empobrecido Distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, que ajudou sua família no passado, é o outro selecionado do Distrito 12. O vencedor, dos jogos vorazes terá fama e fortuna e os perdedores morrem. 

Assim…‘Que as probabilidades esteja a seu favor’.


O segundo livro da trilogia: EM CHAMAS ~ SUZANNE COLLINS

Depois de terminar Jogos Vorazes (Hunger Games), não há como não querer dar continuidade a leitura de Em Chamas (Catching Fire).

Contra as probabilidades, Katniss Everdeen vence o anual Jogos Vorazes com seu companheiro de distrito, Peeta Mellark. Mas foi uma vitória conquistada com decisão e sacrifício e a Capital, na pessoa do Presidente Snow, acostumado a um só ganhador, se sentiu desafiado.

Katniss e Peeta embora de volta ao Distrito 12, vivendo na luxuosa Vila dos Vencedores, não se sentem seguros. Há rumores de rebelião em outros distritos, e Katniss e Peeta, são os rostos da rebelião.

A Capital, está incomodada com a influência de Katniss e Peeta, transformados em ídolos nacionais. E os planos são de mantê-los sob controle, mesmo que isso signifique forçá-los a lutar novamente em uma nova arena.

Suzanne Collins, desenvolveu bem a trama nesse segundo livro. A história flui ágil e emotiva. Vale cada página.


O livro final da trilogia: MOCKINGJAY ~ SUZANNE COLLINS

Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para a morte, Katniss vive outra forma de luta. A luta pela liberdade!

Organizados pelo lendário Distrito 13, os distritos começam a resistência contra a Capital. É a hora da revolução.

A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde.



11 fevereiro 2015

O TREM DOS ÓRFÃOS ~ Christina Baker Kline

Tudo começa com a ‘chance de um novo dia’. Nesse livro, vamos conhecendo a história dos órfãos abandonados a própria sorte, coletados (se é que se pode dizer assim) por pessoas de um grupo de caridade. 

Depois de ajuda-los com algumas coisas básicas: banho, roupa e uma bagagem mínima, os órfãos seguem para um trem, o trem dos órfãos. Nas paradas do trem, eles são apresentados as pessoas que queriam adota-los. 

Na verdade a adoção era informal, os órfãos normalmente iam ajudar a família nos negócios (fazendas, comércio) ou ajudar na lida da casa. Muitos eram abusados física e mentalmente por seus benfeitores. Histórias de tocar o coração. 

No livro acompanhamos de perto a história de Niamh (jovem irlandesa), mais tarde Doroty (nome mais fácil), mais tarde Vivian (nome adotado).

Paralelo a história de Vivian, vamos conhecer Molly. Molly perdeu o pai aos 8 anos e a mãe não teve condições de ficar com ela, estragada pelo uso de drogas e emprisionada pelo mesmo motivo.

Molly vai parar no sistema de assistência social dos Estados Unidos, onde muitos parentes adotivos, os foster care, se dispõem a acolher por um tempo (máximo de 2 anos) as crianças e adolescentes, e o governo colabora financeiramente para o sustento destes.

Molly vai de casa em casa, algumas famílias são disfuncionais, outras estão simplesmente interessadas no dinheiro do governo, outras são abusivas… no livro vamos percebendo a dificuldade de encontrar uma família ‘funcional’.

As histórias de Vivian e Molly se cruzam, e vemos uma bela amizade nascer entre elas. Mesmo a diferença de idade não impede que elas aprendam uma com a outra. Molly 17 anos, ama os livros e toda a modernidade dos aparelhos eletrônicos. Vivian, 91 anos, ama a tradição de um bom final de tarde tomando chá e apreciando o que ainda há pra viver.

Um bom livro!!! Para mim poderia ter sido um pouco mais longo, para explorar um pouco mais a amizade recém nascida, todavia super indico.



Fique Comigo ~ Harlan Coben

Megan Pierce, antes conhecida como Cassie, vive com o Marido e os dois filhos em uma confortável casa. Do passado ela lembra que quer esq...