18 abril 2015

A Origem do 'Keep Calm and Carry On'

O que fez com que a frase, Keep Calm and Carry On (mantenha a calma e siga em frente) ficasse tão famosa?
A história é  interessante. Em tempos de Segunda Guerra Mundial, o governo Britânico, solicitou ao Ministério de Informação, responsável pela publicidade e propaganda do país, um pôster que elevasse a moral das pessoas.
Sabiamente  foi pedido que o banner fosse produzido em uma cor só, com fonte legível, um estilo direto e a coroa do Rei George VI. Os dois primeiros pôsteres diziam:  ‘Your Courage, Your Resolution will Bring Us Victory’ (sua coragem, sua decisão  nos levará a vitória) e o outro dizia ‘Freedom is in Peril’ (A liberdade está em perigo).
Esses pôsteres foram colados nos transportes públicos, nas lojas, nos escritórios do governo, sendo apreciados pelos Britânicos que queriam o fim da guerra da qual muitos eram contra.
O terceiro pôster dizia ‘Keep Calm and Carry On’. Esse pôster deveria ser lançado publicamente, no caso da Inglaterra ser invadida pela Alemanha. Como felizmente isso não aconteceu, esse último pôster nunca veio a público.
No final da Guerra, em 1945, os pôsteres foram destruídos e alguns presenteados a pessoas do exército. Todavia 60 anos mais tarde, um vendedor/proprietário de uma livraria, a Barter Books, encontrou uma cópia do post “perdido” entre livros antigos. 

Stuart e Mary Manley, gostaram tanto do pôster que colocaram em um quadro na própria livraria.


Os clientes da livraria começaram a pedir cópias do pôster e daí nasceu a ideia de comercializar em canecas, blusas, banners… e hoje,  passados todos esses anos, as pessoas continuam gostando da mensagem, não somente na Inglaterra, mas no mundo todo.

17 abril 2015

A GAROTA DAS LARANJAS ~ Jostein Gardeer

Vale cada página. O livro é uma belíssima carta de amor. Uma declaração de afeto de um pai morto para seu filho adolescente. A declaração de amor de um homem para uma mulher. E mais ainda, a declaração de um ser humano para a humanidade.

O estilo da obra é em tom confessional, tom de conversa; e as cartas sempre surgem como metáfora e como elo entre os personagens.

O fato do autor quase sempre escolher contar suas histórias sob o ponto de vista de crianças ou adolescentes, em parte reforça a teoria de que com o passar dos anos, vamos perdemos a capacidade de nos encantar com o mundo. Uma vez perdido esse encanto, esvai-se nossa capacidade de admiração e questionamento.

Para evitar que Georg se torne mais um na multidão, seu pai com uma doença terminal decide deixar-lhe longa carta, contando sobre uma grande paixão vivida na juventude e mostrando de que forma o amor o salvou de uma existência medíocre.

Georg, que começa a viver as emoções do primeiro amor, absorve essas lições e amadurece no decorrer da história. 

Enfrentar os próprios medos, persistir nos desejos que valem a pena lutar, encarar o desafio diário de estar vivo com leveza e uma certa gratidão, estas são algumas das belas lições passadas ao protagonista e, por tabela, aos leitores. 





16 abril 2015

O CÓDIGO DA VINCI ~ Dan Brown

Museu do Louvre, França, Jacques Saunière, líder de uma antiga fraternidade, O Priorado de Sião (que teve membros como Leonardo da Vinci e Isaac Newton) é assassinado.

Antes de morrer Saunière deixa uma mensagem na esperança de que sua neta a criptógrafa Sophie Neveu, decifre. Sem sucesso de entender o que Saunière quis dizer, Robert Langdon, professor de simbologia de Harvard (a cátedra de simbologia não existe, é ficção), é chamado para ajudar a decifrar a mensagem. As circunstâncias acabam levando os dois a serem considerados suspeito do crime. Assim entre as obras de Da Vinci, ruas e prédios históricos de Paris eles buscam provar inocência.

Poucos passos à frente da polícia e do assassino, eles precisam elucidar as mensagens e alguns dos maiores mistérios do cristianismo e da arte de Da Vinci que vão deste o sorriso enigmático da Mona Lisa ao significado do Santo Graal.
Para o historiador britânico Leigh Teabing, amigo de Robert Langdon: Jesus Cristo teria sido um descendente da família real judaica. Ele teria se casado com Maria Madalena tendo uma filha de nome Sarah. Com a execução de Jesus, Madalena fugiu para a França originando os Merovíngeos, a primeira dinastia dos reis da França. O Priorado de Sião seria uma sociedade secreta destinada a proteger os descendentes de Jesus, portadores do Santo Graal, Sangue Real.

No livro, a Igreja Católica aparece como uma mentira histórica, produto da invenção do imperador Constantino, que procurava uma religião para todo o império. Antes de Constantino, o cristianismo teria sido uma religião pregada por Jesus, marido de Madalena, pai de Sarah. O imperador teria fundido os ensinamentos cristãos com as tradições pagãs, para que fossem aceitos pelo povo. Ele também promoveu o Concílio de Nicéia, declarando a divindade de Jesus.
Como ficção o livro é bom. Um só aparte, não há base histórica que sustente a fantasia de Dan Brown, seja na parte artística ou religiosa, mas isso ele reconhece, embora alguns de seus leitores vejam a ficção como verdade.
Bem ao estilo de Dan Brown, num frenesi de New Age, ele une teorias fictícias de Maria Madalena, os Templários, o Priorado de Sion, a Rosa Cruz, os números de Fibonacci e a Era de Aquário. Em tempo: não há verdade nessa ficção, por isso apreciem a ficção mas não confunda com fatos históricos.
Outra resenha de Dan Brown no blog: Fortaleza Digital

14 abril 2015

Reflexões de uma Brasileira nos Estados Unidos

Tendo recebido de amigos, perguntas e questionamentos sobre minha moradia aqui nos Estados Unidos, decidi escrever alguns atinos e desatinos sobre minhas percepções.


Moro nos Estados Unidos há 8 anos (2 anos como assistente de pesquisa em um Laboratório de Antropologia na Universidade do Arizona; 1 ano como professora visitante na Universidade do Texas em Austin e 5 anos com meu esposo e filho na Carolina do Sul, como esposa, mãe, recentemente blogueira, coordenadora das coisas de casa... e outras mil funções)

Obviamente outros falarão com mais propriedade do assunto. Mas do que vivi, vejo... deixo dito:

1. Sobre o ‘pacto social’. Isso mesmo o pacto social pensado por Rousseau, onde o fundamento da ordem social, não vem do direito natural, nem da força, mas de uma convenção social.

Nos Estados Unidos me parece que as pessoas acreditam mais no Pacto Social, onde, ainda que não uniformemente, ‘todos tem direitos’. A conquista dos direitos para esse povo é fato consumado, e há que se buscar novos e melhores direitos sempre.

No Brasil, como nosso pacto social, é muitas vezes seletivo, não temos a mesma atitude de luta. Sabemos que uns pensam ter mais direitos que outros e os ‘cheios de direitos’ apelam constantemente para isso. O fato é que, o pacto social ‘frouxo’ pode gerar um grupo de ‘folgados’ onde as leis são estabelecidas, mas não são cumpridas.

Um exemplo simples e talvez até simplificador...

Nos Parques da Disney, lugar bem visitado pelos brasileiros, pude perceber isso: não sendo possível entrar com ‘carrinhos de crianças’, você, ‘estaciona’ o mesmo, em um lugar determinado e segue. Os americanos deixam praticamente tudo nos carrinhos (confiam no pacto social), os brasileiros levam tudo (nem precisa dizer o porque).

Os americanos estacionam o carrinho onde houver espaço (ainda que seja no sol ou na chuva), os brasileiros tiram, jogam, chutam, derrubam os carrinhos de outras pessoas porque querem o melhor lugar. (E como não tem ninguém olhando...)

Aconteceu comigo. Na primeira vez que vi uma pessoa literalmente jogando o carrinho do David (meu filho) no chão, fiquei chateada, e quando fui lá para levantar o carrinho ouvi:
A dona do carrinho chegou.
E eu com isso? Essa indiana lá sabe o que estou falando, como é que vai reclamar?
E assim de indiana, eu mudei o carrinho de lugar. Evitei discutir, porque há certos aborrecimentos que não quero para mim. Pela educação da moça, não tinha argumento que eu pudesse usar.

Na segunda vez não vi o acontecido, mas pensei ter perdido o carrinho, porque não o encontrava em lugar nenhum... Falei com um jovem que monitorava a fila de entrada em um evento do parque e ouvi:

alguns brasileiros estavam mudando os carrinhos dos lugares de novo
Em inglês eu perguntei, - porque o parque não monitora isso?
Já está sendo visto, vamos colocar segurança para os estacionamentos de carrinhos.
Que bom!!! Assim fica todo mundo feliz!

Depois de se desculpar e me dar passes para entrar em algumas atrações sem fila, o jovem me ajudou a procurar o carrinho que estava em outro estacionamento... segui meu caminho.

Aconteceu ainda uma terceira vez (isso em 5 dias de visita aos parque), vi a jovem empurrando meu carrinho para o sol, e colocando o dela lá. Dessa vez, fui lá e disse em alto e bom tom: Excuse me!!! E coloquei o carrinho de volta. Ela fingiu que não entendeu, mas disse para a companhia dela: Mulher Grossa!!! Eu fui chamada de grossa, dá para entender?

Sim já voltei aos Parques depois desses episódios e pelo menos nas atrações mais populares para crianças há (porque será?) um organizador no estacionamento de carrinhos que fala português.

Falo desse fato, mas acontece ainda o famoso ‘furar de filas’, o ‘empurrãozinho’ para encontrar o melhor lugar para ver o desfile de rua e o falar mal das pessoas (roupas, cabelo, sapatos... ) como se ninguém mais entendesse português.

2. Competitividade. A competitividade é outra coisa interessante. A comunidade de brasileiros se une em eventos de lazer e se você não faz parte do clube dos que amam festa, vai ficar isolada. Não há (na minha percepção) um meio termo, um sentimento de pertença, de nacionalidade... (salvo os jogos da copa)

Nas viagens que fiz percebi que, nem sempre encontrar um brasileiro é sinal de alegria, a não ser que você faça parte do clube... do clube dos ricos, dos que se vestem na moda, dos que bebem, dos que criticam tudo e todos... então nesse sentido, sou uma outsider.

3. Entusiasmo. Tinha quase esquecido como somos entusiasmados pela vida, quase sempre interrompendo a outra pessoa antes dela terminar de falar e nem sempre aceitando argumentos contrários. Felizmente há exceção.

4. A vaga distinção entre público e privado. Obviamente em espaço público há que se respeitar as outras pessoas ainda que não faça parte do seu desejo. Me parece as vezes, que as pessoas esquecem que vivemos em comunidade.

5. Educação. Obrigada, obrigado, por favor, boa tarde... estão se perdendo na nossa fala.

Uma brasileira vendo que meu filho de 4 anos usar constantemente as palavras: thank you, please, excuse me... me disse:
Acho tão aborrecido esse costume dos americanos de agradecer e pedir por favor por tudo.

Eu fiquei em silêncio. Dizer o que? Essa mesma brasileira reclama que sofre preconceito por parte dos americanos porque é brasileira.

Eu particularmente penso que sente uma certa ‘frieza no trato’ por ser considerada uma pessoa rude e não por ser brasileira. Talvez eu seja uma pessoa abençoadamente distraída, mas não lembro de ter sofrido preconceito por conta da cor da minha pele, ou meu sotaque, ou latinidade...

6. Comida. Em tempo: a comida americana é também fast food. Mas como em todo lugar do mundo, o valor da comida está (infelizmente) agregado ao preço que você pode pagar. Na cidade onde moro tem restaurantes cubanos, mexicanos, tailandeses, japoneses, brasileiros, para citar alguns. E os restaurantes americanos? eu particularmente Gosto de Red Lobster, Outback e da fast food KFC.

7. Vestimenta. Gente arrumada encontramos em todos os lugares do mundo. Desarrumadas, ainda mais. O fato é que aqui, dependendo da forma como você se coloca (fala, age, interage), as pessoas se preocupam menos com sua roupa. Não me vejo indo deixar meu filho na escola (morando no Brasil), vestida informalmente. Ainda se percebe em alguns lugares do Brasil: ‘você é o que você veste, e que seja de grifes exclusivas. Pode ser até de mau gosto e de preferência bem caras’.

Não faço parte do time dos ‘arrumados’, me visto com simplicidade e ainda não senti nenhum tipo de preconceito nas lojas, supermercados, restaurantes, escolas...

No Brasil, entrei em um loja... e ouvi da vendedora:

A promoção é aqui! (como já sabia o que queria, terminei minha compra, paguei a vista e sai da loja, mais tarde escrevi para a gerência sugerindo treinamento para as vendedoras.)

Outra vez ouvi:
Só parcelamos em até 3 vezes! (Como eu não havia perguntado, pensei não ter entendido, mas a vendedora frisou o Só parcelamos... mais uma vez)

E ainda:
Temos peças mais baratas!!!

Na verdade o que percebo é que as vendedoras estão tentando ajudar, e querem vender... o que dizem não me aborrece tanto quando a falta de treinamento da gerência das lojas. 

8. Carro. No Brasil sempre dirigi um Ford Ka, carro de minha preferência; fácil de estacionar, de manobrar e limpar. Aqui dirijo um Honda de 7 lugares, como podem perceber me adapto.

Quantas ‘brincadeiras’ ouvi com minha falta ‘de bom gosto’ para carro. A mais aborrecida ouvi de uma pessoa a quem ofereci carona para um evento. Detalhe, ela não estava podendo dirigir e o evento ia ser em um hotel de ‘luxo’ em Fortaleza. Ela disse:

 Eu?!!! Chegar de Ford Ka no evento? Nunca!!! Carro de pobre.

Detalhe que eu sabia... meu Ford Ka era do ano e comprado a vista, o carro dessa pessoa, foi comprado em 60 prestações e ela ainda estava pagando.

Ainda encontramos pessoas que lhe valorizam pelo carro que você dirige, ainda que na verdade, esse carro seja da financiadora.

9. Honestidade. As vezes ser honesto é sinônimo se ser bobo. No Brasil, a coisa se acentua. Aqui há muitos desonestos. A presença desta figura está em todo lugar do mundo, mas normalmente não se exalta essa atitude, é algo velado. No Brasil, percebo, as vezes,  que é motivo de conversa e muita piada.

Quando jovem, fui passar um tempo na Itália. Éramos um grupo de 4 jovens passeando em uma tarde de verão em uma cidadezinha pequena (na região de Toscana). Nos deparamos com uma sorveteria com o Honor System, ou seja, o que você consumir, você paga. Não há uma pessoa na loja, não há câmeras,  o que há é a confiança de que você é honesto. Pegamos cada uma, um gelatto. Na hora de pagar, duas de minhas colegas decidiram pela desculpa: ‘o país é rico, um picolé não vai fazer falta’.

Para mim é claro. Eu consumi, eu vou pagar. Não importa quem é rico, quem é pobre. É uma questão de educação.

Aqui nos Estados Unidos quando morei como estudante as coisas não eram fáceis. O dinheiro era pouco e muitas vezes comi fast food.

Uma colega brasileira me convidou para irmos a um supermercado. Na hora de pagar ela escolheu uma caixa brasileira. Elas tinham um esquema. Nem todos os produtos a moça passava o código de barra, diminuindo assim o número de produtos e consequentemente o valor da compra.

Depois minha colega explicou que podia colocar algumas coisas para mim em seu supermercado. Eu agradeci a gentileza, mas não participaria da lógica, ‘o supermercado é rico’.

Vi e ouvi muitos ‘esquemas’ e não critico a escolha das pessoas, até porque cada uma é livre para agir como quiser. Infelizmente não podemos cobrar da sociedade, o que não damos.

Sim como uma exilada da minha Pátria, por escolha de casamento, sou feliz. Amo o Brasil. A terra, a natureza, a música, a comida, a língua... sinto falta da família, dos amigos, dos colegas, quero que o meu filho fale português e ame o Brasil.

Mas não sinto falta da excessiva familiaridade dos estranhos, da desumanidade disfarçada (normalmente dos mais ricos, mas também das pessoas pobres), do fingimentos dos ‘amigos’; da escolha consciente de ser rude, do desrespeito pela classe trabalhadores, da constante mania de burguesia e for last but not least, das pessoas que reclamam do Brasil e não agem de acordo com suas reclamações. (furam fila, maltratam o garçom, não cumprimentam os colegas de trabalho; levam vantagem sempre que podem, não respeitam horários e acham elegante reclamar de tudo).

Vou seguindo com a esperança de que isso mude e que os brasileiros comecem a viajar mais, reclamar menos e a se olhar com a mesma intensidade com que olham os defeitos dos outros.

Sei que generalizar é a arte do erro. Com esses pontos,  não pretendi comparar os países, as pessoas, mas compartilhar algumas impressões de quem sabe que em todos os lugares do MUNDO há dificuldades.  Cabe a você, a mim, nos adaptarmos.

Enquanto isso, como ‘outsider’ sou feliz aqui. Nunca ‘compreenderei’ totalmente essa cultura, não nasci aqui, não sei as canções de crianças, muitas vezes não entendo quando contam uma piada, estou sempre perguntado, aprendendo... faz parte e não me sinto excluída por não entender de tudo, vejo como uma oportunidade de ler mais, de ouvir mais... Sou brasileira e de lá tenho minhas origens na pele, no coração, na memória.

Aqui, país que vivo, sou feliz, não sei se mais ou menos se morasse no Brasil, pois como diz Mia Couto escritor moçambicano, ‘O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora.’


Fique Comigo ~ Harlan Coben

Megan Pierce, antes conhecida como Cassie, vive com o Marido e os dois filhos em uma confortável casa. Do passado ela lembra que quer esq...