09 maio 2015

Mãe Desnecessária ~ Dalai Lama


A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempoOuvi essa frase algumas vezes de um amigo psicanalista, e ela sempre me soou estranha.  Depois entendi que chega a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha imensa, para quem é mãe. (…) Todavia hoje essa verdade, é absolutamente clara para mim. 

Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso. Ser "desnecessária" é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto deles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. 

É permitir que eles estejam prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical.  A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.  Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.

Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres.  Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser "desnecessários", nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar. Dê a quem você Ama : Asas para voar. Raízes para voltar. Motivos para ficar.

07 maio 2015

TEMPO DE MATAR ~ John Grisham

‘Tempo de Matar’ foi o primeiro livro escrito por John Grisham (rejeitado por inúmeras editoras antes de ser publicado). A história se passa em Clanton, Mississipi. 

Tonya, uma menina negra de 10 anos foi ao armazém a pedido de sua mãe Gwen Hayle. Na volta para casa, Tonya é raptada e violentamente estuprada e espancada por dois brancos racistas, sendo largada no meio da estrada à beira da morte.

Carl Lee Hayle, pai de Tonya, ao chegar em casa se depara com Tonya, deitada no sofá, coberta com toalhas e rodeada de parentes chorando. O rosto de Tonya estava transformado em uma massa disforme e sangrenta.

Os estupradores são identificados, presos, e levados ao tribunal para os procedimentos que dariam início ao julgamento. Apesar das provas irrefutáveis, e de um dos acusados ter admitido a participação na atrocidade, existia uma possibilidade de absolvição. 

Numa cidade tradicionalista, onde a segregação racial ainda se mostrava presente, até onde um júri seria capaz de condenar dois jovens brancos por estuprar e brutalizar uma criança negra?

No final da audiência que indicia Willard e Cobb, Carl Lee assassina os estupradores. A trama vai acompanhar o resultado desse evento. Um homem negro, que assassina dois homens brancos, acusados de estuprar e destruir a vida de sua filha. 

Na defesa, encontramos Jake Brigance que sabe das grandes chances que seu cliente tem de ser condenado a morte. Pela promotoria temos, Rufus Buckley, que planeja fazer desse caso o trampolim para um cargo político.

Durante o julgamento, de um lado temos os membros da Ku Klux Klan agindo abertamente, saindo em passeatas e confrontando os negros. De outro lado temos os representantes de outros estados do país que vão à Clanton apoiar Carl Lee e pedir sua absolvição.

“A defesa mandou o Júri imaginar que a menina tinha cabelos loiros e olhos azuis, que os dois estupradores eram negros e que eles amarraram o pé esquerdo dela numa cerca e o direito numa árvore. Que a violentaram repetidamente e xingaram porque ela era branca (...) E se fosse sua filha?”

“E você como jurado? Cederia às pressões da KKK assumindo que o estupro não justifica o assassinato de dois homens? Ou acreditaria que um homem assombrado pelo estupro de sua filha única de 10 anos, pode perder a sanidade?”

05 maio 2015

O PRÍNCIPE DA NÉVOA ~ Carlos Ruiz Zafón

Para quem gosta de mistério, com uma pitada leve de terror, esse é um bom livro.

Ano de 1943, Maximiliam Carver - um relojoeiro, com bom espírito de aventura e bom humor… sem dúvida um sonhador - informa a família que vão se mudar para uma casa na praia.

Max, está completando 13 anos, e a principio não gosta da novidade. Mas ao chegar na casa, uma moradia peculiar, de frente para o mar, fica encantado. A casa foi construída pelo um medico Richard Fleischmann, para sua esposa Eva e o filho deles, Jacob (que morreu afogado quando era ainda muito jovem).

Irina, a filha mais nova, adota um gato perdido e fica feliz com seu novo amigo, embora a família não aprecie tanto o felino.

Nas proximidades da casa, Max descobre um jardim de estátuas. Estátuas assustadoras, que representam personagens de circo. E, a mais assustadora delas é o palhaço sorridente.

O melhor amigo de Max, Roland, sem saber do jardim que Max encontrou, conta a história de Orpheus, um navio que naufragou há muito tempo. Todas as pessoas que estavam a bordo morreram (personagens de um circo) exceto uma: Víctor Kray, avô de Roland e dono do farol da praia.

Quanto mais o tempo passa, mais coisas estranhas acontecem: Irina sofre um acidente,  Alicia, a irmã mais velha, tem constantes pesadelos e a busca pela verdade os leva ao conhecimento do Príncipe da Névoa, um personagem assustador... E o mistério se revela.


Outros livros de Zafón:
Trilogia: ‘O Cemitério dos Livros Esquecidos’
A Sombra do Vento
O Jogo do Anjo
O Prisioneiro do Céu

E ainda outro bom livro de Zafón é: Marina




03 maio 2015

A PESTE ~ Albert Camus

A Peste, foi interpretado por vários críticos como uma alegoria ao nazismo e, por extensão, ao regime totalitário. Assim a obra pode ler lida pela ótica da resistência política e/ou da filosofia existencial.

A leitura permite uma reflexão da vida, da morte, da solidariedade, do medo, da solidão e da dor… a história se passa em Oran, uma pequena cidade da Argélia, onde os habitantes vivem para o trabalho e para o acúmulo de riquezas. De modo geral eles seguem meticulosamente a rotina, inclusive nas questões do coração. “Em Oran, como no resto do mundo, por falta de tempo ou reflexão, somos obrigados a amar sem saber.” 

A normalidade cai por terra quando ratos agonizam por toda a cidade. Logo depois, a morte alcança também os moradores. No início, há um estranhamento com o fenômeno cuja causa ou explicação é desconhecida. Mas com o avanço da doença, o que era uma simples preocupação torna-se motivo de terror. Ninguém está livre desse inimigo reconhecido como a peste bubônica.

Para Camus, o sentimento de revolta estreita os laços de fraternidade: “A solidariedade dos homens se fundamenta no movimento de revolta e esta, por sua vez, só encontra justificação nessa cumplicidade. (...) Para existir, o homem deve revoltar-se, mas sua revolta deve respeitar o limite que ela descobre em si própria e no qual os homens, ao se unirem, começam a de fato existir.” 

protagonista da obra é o médico Bernard Rieux, um homem preocupado com o próximo e que não mede esforços para conter a doença, mesmo sabendo das limitações. Ele privilegia o bem comum e a coletividade, a ponto de suportar calado o drama pessoal de se manter à distância da esposa, que, enferma – não pela peste –, é tratada em outra cidade.

À volta de Rieux forma-se um pequeno grupo de colaboradores, como Rambert, Tarrou e Grand, homens unidos pela peste e que aprenderam a compartilhar angústias, desejos e temores. É em torno de personagens como esses, que o médico conduz sua crônica, como ele mesmo define o relato da doença.

Fique Comigo ~ Harlan Coben

Megan Pierce, antes conhecida como Cassie, vive com o Marido e os dois filhos em uma confortável casa. Do passado ela lembra que quer esq...