A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Ouvi essa frase algumas vezes de um amigo psicanalista, e ela sempre me soou estranha. Depois entendi que chega a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha imensa, para quem é mãe. (…) Todavia hoje essa verdade, é absolutamente clara para mim.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso. Ser "desnecessária" é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto deles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes.
É permitir que eles estejam prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser "desnecessários", nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar. Dê a quem você Ama : Asas para voar. Raízes para voltar. Motivos para ficar.
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‘Que haja uma luz nos lugares mais escuros, quando todas as outras luzes se apagarem!’ ~ Tolkien
09 maio 2015
Mãe Desnecessária ~ Dalai Lama
07 maio 2015
TEMPO DE MATAR ~ John Grisham
‘Tempo de Matar’ foi o
primeiro livro escrito por John Grisham (rejeitado por inúmeras editoras
antes de ser publicado). A história se passa em
Clanton, Mississipi.
Tonya, uma menina negra de 10 anos foi ao armazém a pedido
de sua mãe Gwen Hayle. Na volta para casa, Tonya é raptada e violentamente
estuprada e espancada por dois brancos racistas, sendo largada no meio da
estrada à beira da morte.
Carl Lee Hayle, pai de
Tonya, ao chegar em casa se depara com Tonya, deitada no sofá, coberta com
toalhas e rodeada de parentes chorando. O rosto de Tonya estava transformado em
uma massa disforme e sangrenta.
Os estupradores são
identificados, presos, e levados ao tribunal para os procedimentos que dariam
início ao julgamento. Apesar das provas irrefutáveis, e de um dos acusados ter
admitido a participação na atrocidade, existia uma possibilidade de absolvição.
Numa cidade tradicionalista, onde a segregação racial ainda
se mostrava presente, até onde um júri seria capaz de condenar dois jovens
brancos por estuprar e brutalizar uma criança negra?
No final da audiência que
indicia Willard e Cobb, Carl Lee assassina os estupradores. A trama vai acompanhar o
resultado desse evento. Um homem negro, que assassina dois homens brancos,
acusados de estuprar e destruir a vida de sua filha.
Na defesa, encontramos
Jake Brigance que sabe das grandes chances que seu cliente tem de ser condenado
a morte. Pela promotoria temos, Rufus Buckley, que planeja fazer desse caso o trampolim para um cargo político.
Durante o julgamento, de um
lado temos os membros da Ku Klux Klan agindo abertamente, saindo em passeatas e confrontando os negros. De outro lado temos os representantes de outros estados
do país que vão à Clanton apoiar Carl Lee e pedir sua absolvição.
“A defesa mandou o Júri
imaginar que a menina tinha cabelos loiros e olhos azuis, que os dois
estupradores eram negros e que eles amarraram o pé esquerdo dela numa cerca e o
direito numa árvore. Que a violentaram repetidamente e xingaram porque ela era
branca (...) E se fosse sua filha?”
“E você como jurado? Cederia
às pressões da KKK assumindo que o estupro não justifica o assassinato de dois
homens? Ou acreditaria que um homem assombrado pelo estupro de sua filha única
de 10 anos, pode perder a sanidade?”
05 maio 2015
O PRÍNCIPE DA NÉVOA ~ Carlos Ruiz Zafón
Para quem gosta de mistério, com uma
pitada leve de terror, esse é um bom livro.
Ano de 1943, Maximiliam Carver - um
relojoeiro, com bom espírito de aventura e bom humor… sem dúvida um sonhador -
informa a família que vão se mudar para uma casa na praia.
Max, está completando 13 anos, e a principio
não gosta da novidade. Mas ao chegar na casa, uma moradia peculiar, de frente
para o mar, fica encantado. A casa foi construída pelo um medico Richard
Fleischmann, para sua esposa Eva e o filho deles, Jacob (que morreu afogado
quando era ainda muito jovem).
Irina, a filha mais nova, adota um gato
perdido e fica feliz com seu novo amigo, embora a família não aprecie tanto o
felino.
Nas proximidades da casa, Max descobre um
jardim de estátuas. Estátuas assustadoras, que representam personagens de circo.
E, a mais assustadora delas é o palhaço sorridente.
O melhor amigo de Max, Roland, sem saber
do jardim que Max encontrou, conta a história de Orpheus, um navio que
naufragou há muito tempo. Todas as pessoas que estavam a bordo morreram
(personagens de um circo) exceto uma: Víctor Kray, avô de Roland e dono do
farol da praia.
Quanto mais o tempo passa, mais coisas
estranhas acontecem: Irina sofre um acidente,
Alicia, a irmã mais velha, tem constantes pesadelos e a busca pela
verdade os leva ao conhecimento do Príncipe da Névoa, um personagem
assustador... E o mistério se revela.
Outros livros de Zafón:
Trilogia: ‘O Cemitério dos Livros Esquecidos’
A Sombra do Vento
O Jogo do Anjo
O Prisioneiro do Céu
E ainda outro bom livro de Zafón é: Marina
03 maio 2015
A PESTE ~ Albert Camus
A Peste, foi interpretado por vários críticos como uma
alegoria ao nazismo e, por extensão, ao regime totalitário. Assim a obra pode
ler lida pela ótica da resistência política e/ou da filosofia existencial.
A leitura permite uma reflexão da vida, da
morte, da solidariedade, do medo, da solidão e da dor… a história se passa em Oran,
uma pequena cidade da Argélia, onde os habitantes vivem para o trabalho e para
o acúmulo de riquezas. De modo geral eles seguem meticulosamente a rotina,
inclusive nas questões do coração. “Em Oran, como no resto do mundo, por falta
de tempo ou reflexão, somos obrigados a amar sem saber.”
A normalidade cai por terra quando ratos
agonizam por toda a cidade. Logo depois, a morte alcança também os moradores.
No início, há um estranhamento com o fenômeno cuja causa ou explicação é
desconhecida. Mas com o avanço da doença, o que era uma simples preocupação
torna-se motivo de terror. Ninguém está livre desse inimigo reconhecido como a
peste bubônica.
Para Camus, o sentimento de revolta
estreita os laços de fraternidade: “A solidariedade dos homens se fundamenta
no movimento de revolta e esta, por sua vez, só encontra justificação nessa
cumplicidade. (...) Para existir, o homem deve revoltar-se, mas sua revolta
deve respeitar o limite que ela descobre em si própria e no qual os homens, ao
se unirem, começam a de fato existir.”
O protagonista da obra é o médico Bernard Rieux, um
homem preocupado com o próximo e que não mede esforços para conter a doença,
mesmo sabendo das limitações. Ele privilegia o bem comum e a coletividade, a
ponto de suportar calado o drama pessoal de se manter à distância da esposa,
que, enferma – não pela peste –, é tratada em outra cidade.
À volta de Rieux forma-se um pequeno grupo
de colaboradores, como Rambert, Tarrou e Grand, homens unidos pela peste e que
aprenderam a compartilhar angústias, desejos e temores. É em torno de
personagens como esses, que o médico conduz sua crônica, como ele mesmo define o
relato da doença.
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