10 abril 2017

Sobrevivi Para Contar ~ Immaculée Ilibagiza

Uma leitura surpreendente. Vale cada página. Immaculée conta, como sobreviveu ao massacre de sua família, durante o genocídio de 1994 em Ruanda, país da África.

Nascida em Kibuye, uma província da Ruanda Ocidental, Immaculée aprendeu na escola que seu povo estava dividido entre Hutu, Tutsi e um pequeno grupo de Twas, etnias que embora cantassem as mesmas canções, frequentassem os mesmos lugares, cultivassem a mesma terra, consideravam algumas diferenças políticas irreconciliáveis .

Na comemoração da Páscoa, o conflito se alastrou. O presidente que era da etnia Hutu e pregava moderação, foi assassinado e o novo governante, passou a armar a população Hutu e a incitar violência contra os Tutsi e Twas. Vizinhos, colegas de escola e até amigos se transformaram em inimigos e até assassinos.

O conflitos étnico culminou em um holocausto que deixou mais de 1 milhão de mortos, em ataques de violência brutal. A família de Immaculée, chegou a abrigar milhares de Tutsi no quintal da casa, mas desarmados, foram dizimados pela violência dos Hutus e aliados.

Immaculée sobreviveu por ter sido enviada por seu pai para a casa de um pastor Hutu. Ela e outras seis mulheres ficaram escondidas em um pequeno banheiro de 1,5 por 1 metro no quarto do pastor. Como poucos sabiam da existência do banheiro o pastou colocou um guarda roupa em frente da porta. Lá ficaram por 91 dias, se comunicavam por sinais. Mal conseguiam se mover no pequeno espaço. Nesse livro ela conta como sua fé a salvou e a fez perdoar seus algozes. Um relato forte e impressionante. Atualmente ela mora nos Estados Unidos com o marido e os dois filhos, e direciona seus esforços para a organização que criou, Fundação Ilibagiza, que ampara sobreviventes de guerras e genocídios.





30 março 2017

TRILOGIA O SÉCULO ~ Ken Follett

Para quem gosta de ficção histórica esse é uma boa trilogia. Não se assuste com o número de páginas. Em nenhum momento a história fica aborrecida ou perde o rumo.

A saga é composta de 3 livros: A Queda dos Gigantes, Inverno do Mundo, Eternidade por um Fio. (são mais de 3 mil páginas)

No primeiro livro, A Queda de Gigantes, acompanhamos a história de alguns personagens bem interessantes; entre aristocratas, donas de casa, feministas e sonhadores, vamos percebendo a mudança de atitude impostas pelo cotidiano, especialmente pela guerra.

A Primeira Guerra Mundial é o cenário do livro e não só nos traz a memória os horrores da guerra, como nos faz refletir sobre os interesses políticos, colocados acima do bem estar da população.

Temos ainda, uma boa apresentação da Revolução Russa, de como Lenin coordenou as ações, de sua personalidade, de seus sonhos.

Muitas vezes você vai puxar da memória as aulas de história que teve e vai no google complementar informações . Muitas vezes vai se indignar com alguns personagens e torcer por outros. Vai ainda refletir sobre a crueldade da guerra.

Vale a leitura. Acredito que quando terminar o primeiro livro você vai querer continuar a leitura da sequência na história no segundo livro, porque então estará convencido de que os personagens vão 'contar' mais.

O segundo livro da trilogia é Inverno do Mundo, ambientado na Segunda Guerra Mundial e no despertar da era nuclear. O livro continua a saga dos personagens do livro um – das famílias norte americanas, alemãs, russas e inglesas – com o acréscimos de novas gerações.

Nessa obra revisitaremos a ascensão do Terceiro Reich, da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial. Uma obra bem descrita e detalhada. Dos 3 livros foi o que mais gostei.

Carla Von Ulrich, filha de pai alemão e mãe inglesa, é uma das personagens fortes desse livro, capaz de uma conduta altruísta e dona de uma personalidade forte e honesta. Os pais de Carla são responsáveis pelo romance mais bonito do primeiro livro.

Woody e Chuck Dewar, irmãos norte americanos, nos levam perto do desenrolar da história em Washington e Pearl Harbor. A batalha de Pearl Harbor é tão detalhada que por momentos nos sentimos lá. Follett faz uma rica narrativa. Somos ainda transportados para a Guerra Civil Espanhola, narrada na aventuras do inglês Lloyd Williams, que reconhece as falhas tanto do comunismo quanto do fascismo.

Deyse Peshkov, filha de um personagem, para mim, ‘no mínimo’, o mais aborrecido e vilão do primeiro livro, é responsável por grandes mudanças pessoais nesse livro. A forma como Deyse amadurece é reveladora de um forte caráter. Gostei muito da personagem.

Por fim, Volodya, membro da inteligência do Exército Vermelho, nos leva mundo histórico da URSS e nos dá uma verdadeira aula de espionagem.

Como no primeiro livro, vale cada página. Sim é uma leitura longa, mas com persistência e amor pela história a narrativa é fantástica.

O terceiro livro Eternidade por um Fio conclui a história da saga com uma boa narrativa da turbulência social, política e econômica entre as décadas de 1960 e 1980, com a luta pelos direitos civis, assassinatos, movimentos políticos de massa,  guerra do Vietnã, Muro de Berlim, Crise dos Mísseis de Cuba, impeachment presidencial, revolução… e rock and roll!


02 março 2017

O Estrangeiro ~ Albert Camus

L'Étranger (em português O estrangeiro) é o mais famoso romance do escritor Albert Camus. A obra foi lançada em 1942, e traduzida em mais de quarenta línguas.

Essa obra faz parte do "ciclo do absurdo" de Camus, trilogia composta de um romance (L'Étranger), um ensaio (Le mythe de Sisyphe - O mito de Sísifo) e uma peça de teatro (Calígula), obras que descrevem o aspecto fundamental de sua filosofia : o absurdo.

Vale a aventura de ler essa obra. Essa é a terceira vez que leio e sempre encontro algo novo.

O romance conta a história de Meursault, um homem que comete um assassinato e vai a julgamento. A ação desenrola-se na Argélia na época em que ainda era colônia francesa, país onde Camus viveu grande parte da sua vida.

A narrativa começa com um telegrama comunicando o falecimento da mãe de Meursault. Ele viaja ao asilo onde ela morava e comparece à cerimônia fúnebre, sem, no entanto, expressar qualquer sentimento.

Meursault vive sem grandes sobressaltos: relaciona-se com Marie com certa indiferença (se ela quiser, ele casa; senão quiser, um dar de ombros é o máximo que se traia dele); aceita as propostas do patrão sem nenhuma emoção (vai para Paris, se ele assim o designar; se não fica tateando o invisível em seus recantos, e estamos conversados); participa da vida dos vizinhos sem alegria (ajuda o cafetão Raymond e o velho Salamano com quem conserta automóveis, mas não os considera amigos).

Ao ajudar Raymond a se livrar de uma de suas amantes árabes, os dois aborrecem o irmão da moça "o árabe", e em uma praia o árabe esfaqueia Raymond. Num ato de loucura,   incomum a personalidade de Meursault, ele volta à praia e atira uma vez no árabe causando sua morte e depois dá mais quatro tiros no corpo já morto.

Durante o julgamento a acusação concentra-se no fato de Meursault não conseguir ou não ter vontade de chorar no funeral da sua mãe. O homicídio do árabe é aparentemente menos importante do que o fato de Meursault ser ou não capaz de sentir emoções; o argumento é que, se Meursault é incapaz de sentir remorsos, de se emocionar, deve ser considerado um misantropo perigoso e consequentemente executado para prevenir que repita os seus crimes, tornando-o também num exemplo.

Além de ser uma enxuta reflexão sobre o alheamento, “O Estrangeiro” trata ainda, filosoficamente, do confinamento e da pena de morte.

SOBRE CAMUS:

Apesar de rejeitar o rótulo de existencialista, Camus foi influenciado, ao escrever o romance, pelas ideias de Jean-Paul Sartre e Martin Heidegger. Camus e Sartre em particular haviam se envolvido na resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e foram amigos até que diferenças em posições políticas os levaram ao rompimento.

No limite, Camus apresenta o mundo como essencialmente sem sentido e assim, a única forma de chegar a um significado ou propósito é criar um por si mesmo. Assim, é o indivíduo e não o ato que dá significação a um dado contexto. Camus também lida com as questões do relacionamento humano em outras obras de ficção como La Mort heureuse (1971 - em português: A Morte Feliz) e La peste (1947 - em português: A Peste), assim como em algumas obras de não-ficção como L'Homme révolté (1951 - em português: O homem revoltado) e Le Mythe de Sisyphe (1942 - em português: O Mito de Sísifo).

Camus, prêmio nobel de literatura, é conhecido como um gigante da literatura francesa, mas foi seu berço africano que modelou usa vida e arte. Camus colocou suas duas mais famosas obras: O Estrangeiro e A Praga, em Algeria. Todavia, a despeito do monumental trabalho e grande afeto por sua terra natal, Algeria nunca tornou esse afeto recíproco. Camus não é parte de nenhum curriculum escolar na Algeria. Seus livros raramente são encontrados nas livrarias e bibliotecas.

Algeria apagou Camus disse Hamid Grace, um novelista Algeriano que 2011 escreveu ‘Camus dans le Narguilé’.

A despeito de ser algeriano, Camus acreditava que a Algeria deveria continuar parte da França. Assim Camus é conhecido em sua pátria como um colonialista e nada mais. 

Catherine Camus, filha de Camus que mora na França, afirma que Camus amava Algeria e sempre que podia visitava sua terra natal.

Ah Algeria, não há como negar o talento de Camus. Sua grandeza como escritor é real, seu prêmio nobel contribuiu para apresentar a Algeria para o mundo e se a visão política não foi favorável ao seu país natal, que ele seja ‘salvo’ pela magnificência de sua obra existencialista.



Outro livro de Albert Camus resenhado: 
A Peste



06 fevereiro 2017

Harlan Coben, livros não publicados no Brasil

Leitura de final de semana! Harlan Coben (foto). Coben publicou, “Play Dead” em 1990 e “Miracle Cure” em 1991, sem traduções para o português. Logo após essas publicações ele começou a escrever a série de Myron Bolitar (todos os livros lidos e resenhados nesse blog). O suspense independente Não Conte a Ninguém, foi um sucesso e em 2006, o diretor de cinema Guillaume Canet transformou o livro no thriller francês Ne le dis um personne

Harlan Coben escreveu mais 14 romances autônomos. Seus livros aparecem regularmente na lista de bestsellers do New York Times. para quem gosta de livros com bom suspense policial, Coben é uma boa indicação.
Embora não tenha tradução para o português. Deixo aqui a resenha dos dois livros.

PLAY DEAD (1990) ~ HARLAN COBEN 

Assim que a supermodelo Laura Ayers e a estrela do Basquete, David Baskin casam, uma tragédia acontece.  Na lua de mel, David sai para nadar e nunca retorna. Laura não se conforma e procura saber mais sobre a morte de David.

Quanto mais pesquisa mais Laura, vai entender que o sumiço de David está relacionado com sua família, especificamente com sua mãe Mary Ayes e sua tia Judy Ayers.

Essa é a primeira obra de Harlan Coben. Um livro cheio de intriga, mistério e um final surpreendente bem ao gosto de Coben.




MIRACLE CURE (1991) ~ COBEN 

Considerando que foi escrito há mais de 26 anos, o livro é muito bom e continua atual. 

Sara Lowell é uma jornalista dedicada e seu esposo é uma estrela da NBA. Procurado pelo amigo Dr. Harvey Riker, Sara aceita fazer a cobertura de crimes envolvendo a clinica onde Riker trabalha para encontrar a cura para a AIDS.

Duas mortes ligadas a pacientes da clinica e o suspeito suicídio do Dr. Bruce Grey, são suficientes para Sara procurar ajuda de um detetive amigo, Max Bernstein.


Enquanto as mortes continuam, Max e Sara tentam desvendar quem está querendo sabotar a clinica e consequentemente a cura da AIDS.

Fique Comigo ~ Harlan Coben

Megan Pierce, antes conhecida como Cassie, vive com o Marido e os dois filhos em uma confortável casa. Do passado ela lembra que quer esq...