11 março 2018

Beleza Cruel ~ Rosamund Hodge

Para quem gosta de mitologia grega esse livro é uma boa opção de leitura. Para quem gosta do conto de fadas A Bela e a Fera, essa é uma leitura revisitada em vários aspectos e vale a fantasia.

Foi uma dica de meu esposo que sabe que gosto de ‘contos de fadas’. Ele viu uma resenha em um dos muitos jornais que lê, considerou o livro interessante e me presenteou. Comecei a leitura e terminei em um dia...  levei meu filho na escola e na volta parei em um café para começar a leitura. Segui para o trabalho mas no intervalo, li um pouco mais. Na espera da aula de natação do meu filho, avancei bastante na leitura e a noite, após todas as atividades terminei de ler. 

É uma leitura que lhe deixa curiosa, que choca algumas vezes, dá medo, a faz você rir e se emocionar.

Nyx é uma personagem que me agradou desde as primeiras páginas. Ela é forte, destemida e curiosa.  Capaz de ser até um pouco cruel, embora se arrependa. sem nenhuma dúvida uma personagem de temperamento forte.


'Ainda poderíamos ter arrebatado a felicidade da nossa tragédia se tivéssemos feito as escolhas corretas, os desejos corretos. Se tivéssemos sido mais gentis, mais corajosos, mais puros.'

Nyx, desde o nascimento estava prometida em casamento a Lorde Gentil, perverso governante de Arcádia.  Seu pai barganhou com Lorde Gentil e o pagamento foi Nyx. Quando a hora de partir chega, Nyx obedece ao acordo e segue com determinação, mas também com medo e com raiva, especialmente da família. Desde o inicio do relacionamento Nyx testa a paciência de Ignifex, Lorde Gentil.
 
O que dizer de Ignifex? O Lorde que aterroriza o reino por séculos? Ele tem senso de humor, é inteligente e direto na conversa.

O relacionamento de Nyx e Ignifex é inesperado e cheio de surpresas. A casa é como um labirinto contendo os quatro elementos: água, fogo, ar e terra e muitos perigos disfarçados.

A descrição mitológica é interessante, infelizmente a capa escolhida para o livro no Brasil não faz justiça a obra, espero que a tradução faça. Vale a leitura.

26 fevereiro 2018

Outliers ~ Malcolm Gladwell


As pessoas de sucesso trabalham mais que outras? O que torna algumas pessoas ‘fora de série’ (outliers)? Nesse livro vamos ver que as habilidades escondem uma lógica muito mais fascinante e complexa para o percurso do sucesso.

Apresentando histórias como Bill Gates, Bill Joy (autor do BSB Unix, que mais tarde possibilitaria criação da internet), Beatles, Mozart... Malcolm Gladwell mostra que o sucesso se beneficia de oportunidades incríveis, vantagens ocultas e heranças culturais. Além disso, para se alcançar excelência em qualquer atividade são necessárias nada menos do que 10 mil horas de pratica - o equivalente a três horas por dia (ou 20 horas por semana) de treinamento durante 10 anos. A Mágica das ‘10 mil horas’.

Gladwell chama atenção para a importância da cultura, da família, das oportunidades, do esforço e das experiências idiossincráticas dos outliers. Para ele você não precisa tanto de talento e sim de muita prática.

A vida fascinante de Chris Langan, que aos seis meses já falava em sentenças completas, é chave para entender melhor o conceito de outliers. Langan tem QI 195 (lembrando que o QI de Einstein era 150)
“Na escola, Chris Langan aprendia idiomas com extrema facilidade. Se tivesse a chance de dar uma olhada na matéria por dois ou três minutos antes da chegada do professor, acertava todas as questões. Aos 16 anos, sabia quase tudo sobre física teórica e conseguiu decifrar uma obra-prima reconhecidamente intrincada — ‘Principia Mathematica’, de Bertrand Russell e Alfred North Whitehead. Obteve nota máxima no SAT — um exame padronizado aplicado a alunos do ensino médio que estão se candidatando à universidade — embora tenha adormecido durante o teste”.
Depois de apresentar Chris Langan, Gladwell menciona Lewis Terman, professor de Psicologia da Universidade de Stanford. Criador do Stanford-Binet, teste-padrão de QI.
Em 1921, Terman decidiu que iria estudar os gênios. Com recursos da Commonwealth Foundation, contratou auxiliares e pesquisou crianças em escolas da Califórnia. As equipes testaram aproximadamente 250 mil estudantes dos níveis fundamental e médio e selecionou 1.470 que tinham QI superior a 140. Alguns chegaram a 200. Durante anos, Terman acompanhou os gênios. “Eles foram rastreados e testados, medidos e analisados. Suas realizações acadêmicas foram anotadas; os casamentos, acompanhados; as doenças tabuladas; a saúde psicológica, mapeada.” Tudo sobre eles era registrado e interpretado. Eram orientados na escolha dos cursos universitários e empregos. A pesquisa foi publicada como “Estudos Genéricos de Gênios”.
O que Gladwell mostra é que, apesar do incentivo de Terman, nem todos os gênios obtiveram sucesso. Os fora de série, “outliers”, tornaram-se pessoas comuns.
Gladwell aponta que “a relação entre sucesso e QI funciona até certo ponto. Depois que alguém alcança um QI em torno de 120, quaisquer pontos adicionais não parecem se converter em vantagem mensurável no mundo real. O QI de Langan é 30% mais alto do que o de Einstein. Mas isso não significa que Langan seja 30% mais inteligente do que ele”. Na verdade, “ambos são suficientemente inteligentes”.
 “Se a inteligência só importa até certo ponto”, constata Gladwell, “então a partir desse patamar outros fatores — que não têm nada a ver com a inteligência —começam a pesar”.
O sociólogo Pitirim Sorokin, crítico de Terman, disse: “Não há nada extra em termos de imaginação ou de padrões da genialidade que mostre que o ‘grupo de superdotados’ como um todo é superdotado”. O próprio Terman admitiu, ao final dos estudos: “Vimos, com uma ponta de decepção, que intelecto e realização estão longe da correlação perfeita”. Ser bem-sucedido, portanto, não tem ‘relação absoluta e direta’ com QI alto.
Voltemos então a história de Chris Langan. É possível que sua inteligência, tenha gerado certa arrogância? É possível que a falta de uma família estruturada o tenha  prejudicado? Bem como a falta de visão de professores e diretores do Reed College e da Universidade de Montana, que não souberam apoiá-lo?
Ao estudar Chris Langan, Gladwell menciona a história de Robert Oppenheimer, o físico americano que foi decisivo para a construção da bomba atômica. Oppenheimer era um menino prodígio, brilhante deste o ensino fundamental. Estudou em Harvard e doutorou-se em física em Cambridge. Na Inglaterra, irritado com seu instrutor, Patrick Blackett (Prêmio Nobel de 1948) — pois queria estudar física teórica e não física experimental —, tentou envenená-lo. Blackett escapou e Cambridge advertiu o aluno rebelde. Kai Bird e Martin Sherwin, na biografia “American Prometheus”, relatam: “Após negociações prolongadas, foi combinado que Robert seria suspenso e teria sessões regulares com um psiquiatra proeminente de Harley Street, em Londres”.

Chris Langan, um gênio consumado, perdeu a bolsa de estudos, por desleixo da mãe que esqueceu de assinar a documentação, e acabou tendo sua vida acadêmica encerrada pela burocracia. Oppenheimer, que tentou assassinar um professor, acabou perdoado e enviado a um psiquiatra.

Mais tarde, consagrado como um dos físicos mais brilhantes do mundo, Oppenheimer assumiu a direção científica do Projeto Manhattan, com o objetivo de construir a bomba atômica. O general Leslie Groves foi encarregado de encontrar o cientista para dirigir o projeto. Como só tinha 38 anos e era um físico teórico, Oppenheimer, em tese, não deveria ter sido escolhido. Mas foi. Ao conversar com Groves, Oppenheimer esmerou-se, apresentando suas ideias de maneira brilhante, com uma argumentação convincente.

Por que Oppenheimer deu certo e Chris Langan, “errado”? “Porque Oppenheimer possuía um tipo de destreza que lhe permitia obter o que quisesse do mundo.” Chris Langan, confrontado com os problemas, desistia. Faltava a Langan Inteligência prática.

O psicólogo Robert Sternberg, citado por Gladwell, fala em “inteligência prática”. Para Sternberg, a inteligência prática inclui elementos como ‘saber o que dizer e para quem; saber quando dizer e saber como dizer para obter o máximo de efeito’.

Usando o termo técnico, a inteligência geral e inteligência prática são ‘ortogonais’: a presença de uma não implica a presença da outra. Uma pessoa pode ter inteligência analítica e pouquíssima inteligência prática, assim como pode ser rica em inteligência prática e pobre em inteligência analítica ou — como no caso afortunado de alguém como Robert Oppenheimer — pode ter as duas.

Chris Langan nasceu inteligente. O QI é um indicador, em grande medida, de habilidade inata. Mas a ‘destreza social’, conceito cunhado pela socióloga Annete Lareau vem da convivência no ambiente familiar É um conjunto de capacidades que precisam ser aprendidas.


A Leitura vale cada página!!!

15 janeiro 2018

Dançando Sobre Cacos de Vidro ~ Ka Hancock

Fazia tempo que não chorava tanto lendo um livro. Chorei, chorei, chorei... a história é intensa... especialmente se você perdeu alguém com câncer. A descrição é ‘devastadora’.
Ka Hancock, nascida em Utah, Estados Unidos autora de Dançando Sobre Cacos de Vidro, trabalhou em várias áreas da Medicina, mas seu primeiro amor é a psiquiatria. Casada, mãe de quatro filhos, no meio de tantas coisas para fazer, ela se organizou para escrever seu primeiro livro de ficção, um bom livro!
Dançando Sobre Cacos de Vidro conta a história de Mickey e Lucy, um homem com transtorno bipolar e uma mulher com histórico de câncer que lutam contra as improbabilidades de um relacionamento. 

Contrariando toda a lógica que indicava que essa história de amor não teria futuro, eles se casam e firmam – por escrito – um compromisso para fazer o relacionamento dar certo. Mickey promete tomar os remédios. Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não pode controlar. Mickey será sempre honesto. Lucy será paciente. Depois que Lucy quase perde uma batalha contra o câncer, eles criam mais uma regra: nunca terão filhos, para não passar adiante sua herança genética. Porém, no 11° aniversário de casamento, durante uma consulta de rotina, Lucy descobre que está grávida. 
Sem nenhuma dúvida um livro que balança sentimentos...




03 janeiro 2018

Origem ~ Dan Brown


No livro Origem, quem está acostumado com o estilo de Dan Brown vai rever Robert Langdon, professor de Iconografia da Universidade de Havard em Barcelona. 

Langdon vai encontrar Edmond Kirsch, amigo bilionário que promete revelar respostas para as perguntas: De onde viemos? E para onde vamos? (muitos tentaram antes). Essa revelação, segundo Kirsch vai 'acabar com as religiões e fortalecer a posição da ciência e da inteligência artificial no mundo.'

Obviamente a escrita de Brown em quase todos os seus livros, exceto Fortaleza Digital e Ponto de Impacto incomoda ‘verdades da fé’ mas nada que ele mesmo possa provar. Assim de especulação em especulação, ele consegue ambientar suas controvérsias em maravilhosos roteiros que ao contrário das falácias anti-religião de Brown, nos fazem viajar por catedrais, museus, conhecer obras de arte... As vezes me pergunto o que seria de Brown sem a fixação que ele tem em criticar a Igreja católica, uma vez que os ambientes mais interessantes de seus livros são parte da Igreja Católica. Mas é certo que se você é fascinado por história, escultura, quadros, música... é difícil não ser fascinado com a história da Igreja.

Caso não tenha lido, Anjos e Demônios, nessa obra Brown trabalha o conflito entre a Igreja Católica e a Ciência. Conflito que me parece estar enraizado em Brown, porque se aprofundarmos grandes pensadores veremos como diz Santo Agostinho, ‘Fé e ciência: são duas asas para elevar-se à verdade’.

No livro O Código Da Vinci, ele sugeriu que Jesus e Madalena formavam um par. Uma acusação antiga, sem prova e que não minimiza em nada a mensagem de Jesus para o mundo.

Em Inferno, vale a lembrança do clássico da literatura: A Divina Comédia, e a belíssima descrição de lugares como Florença, Veneza e Istambul. 

O sucesso de Brown é grande: aos 53 anos o autor vendeu mais de 200 milhões de livros em 56 línguas. 3 de seus livros se transformaram em filmes (não assisti a nenhum, li todos os livros).

O fato é que as portas para a pesquisa estão abertas e minha esperança é que Dan Brown continue sua busca pela verdade e que um dia ele decida ler em profundidade a filosofia e a teologia da Igreja Católica que ele tanto ataca e encontre o que ele sonha: a integração da ciência e da fé. 





Fique Comigo ~ Harlan Coben

Megan Pierce, antes conhecida como Cassie, vive com o Marido e os dois filhos em uma confortável casa. Do passado ela lembra que quer esq...