05 setembro 2016

Amizades e Folias ~ G.K. Chesterton


Há algumas pessoas que se queixam das pessoas que não fazem nada. 

Outras ainda, mais misteriosas e extraordinárias, queixam-se de não ter nada que fazer. Quando lhes aparecem alguns dias ou horas em branco, resmungam contra a brancura desses dias e horas. 

Quando lhes dão o dom da solidão, que é o dom da liberdade, rejeitam-no e destroem-no deliberadamente com qualquer coisa (…). 

Falo apenas por mim; sei que é preciso de tudo para fazer um mundo, mas não posso deixar de estremecer quando vejo as pessoas deitarem à rua as suas férias duramente ganhas, como impelidas pela irresistível obrigação de fazer qualquer coisa. 

Pelo que me diz respeito, posso dizer que nunca tive o bastante nada que fazer. Sinto como se nunca tivesse tido o ócio preciso para desembrulhar uma décima parte da bagagem da minha vida e dos meus pensamentos. 

Não é necessário dizer que não há nada de particularmente misantrópico no meu desejo de isolamento, muito pelo contrário. Na minha adolescência, como disse, fui algumas vezes, e numa direção bastante ruim, um isolado da sociedade. Mas, depois de adulto, nunca mais me senti tão sociável como quando só.

G.K. Chesterton, Autobiografia, cap. X  - Amizades e folias, 243 p.
Gilbert Keith Chesterton, (Londres, 29 de maio de 1874 – Beaconsfield 14 junho de 1936), conhecido como G. K. Chesterton foi jornalista, poeta, historiador, teólogo e ensaísta.

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'As noções do simbólico e real, são caminhos que percorremos até chegar a aceitação das frustrações ou perdas, ou como disse a bo...