14 abril 2015

Reflexões de uma Brasileira nos Estados Unidos

Tendo recebido de amigos, perguntas e questionamentos sobre minha moradia aqui nos Estados Unidos, decidi escrever alguns atinos e desatinos sobre minhas percepções.


Moro nos Estados Unidos há 8 anos (2 anos como assistente de pesquisa em um Laboratório de Antropologia na Universidade do Arizona; 1 ano como professora visitante na Universidade do Texas em Austin e 5 anos com meu esposo e filho na Carolina do Sul, como esposa, mãe, recentemente blogueira, coordenadora das coisas de casa... e outras mil funções)

Obviamente outros falarão com mais propriedade do assunto. Mas do que vivi, vejo... deixo dito:

1. Sobre o ‘pacto social’. Isso mesmo o pacto social pensado por Rousseau, onde o fundamento da ordem social, não vem do direito natural, nem da força, mas de uma convenção social.

Nos Estados Unidos me parece que as pessoas acreditam mais no Pacto Social, onde, ainda que não uniformemente, ‘todos tem direitos’. A conquista dos direitos para esse povo é fato consumado, e há que se buscar novos e melhores direitos sempre.

No Brasil, como nosso pacto social, é muitas vezes seletivo, não temos a mesma atitude de luta. Sabemos que uns pensam ter mais direitos que outros e os ‘cheios de direitos’ apelam constantemente para isso. O fato é que, o pacto social ‘frouxo’ pode gerar um grupo de ‘folgados’ onde as leis são estabelecidas, mas não são cumpridas.

Um exemplo simples e talvez até simplificador...

Nos Parques da Disney, lugar bem visitado pelos brasileiros, pude perceber isso: não sendo possível entrar com ‘carrinhos de crianças’, você, ‘estaciona’ o mesmo, em um lugar determinado e segue. Os americanos deixam praticamente tudo nos carrinhos (confiam no pacto social), os brasileiros levam tudo (nem precisa dizer o porque).

Os americanos estacionam o carrinho onde houver espaço (ainda que seja no sol ou na chuva), os brasileiros tiram, jogam, chutam, derrubam os carrinhos de outras pessoas porque querem o melhor lugar. (E como não tem ninguém olhando...)

Aconteceu comigo. Na primeira vez que vi uma pessoa literalmente jogando o carrinho do David (meu filho) no chão, fiquei chateada, e quando fui lá para levantar o carrinho ouvi:
A dona do carrinho chegou.
E eu com isso? Essa indiana lá sabe o que estou falando, como é que vai reclamar?
E assim de indiana, eu mudei o carrinho de lugar. Evitei discutir, porque há certos aborrecimentos que não quero para mim. Pela educação da moça, não tinha argumento que eu pudesse usar.

Na segunda vez não vi o acontecido, mas pensei ter perdido o carrinho, porque não o encontrava em lugar nenhum... Falei com um jovem que monitorava a fila de entrada em um evento do parque e ouvi:

alguns brasileiros estavam mudando os carrinhos dos lugares de novo
Em inglês eu perguntei, - porque o parque não monitora isso?
Já está sendo visto, vamos colocar segurança para os estacionamentos de carrinhos.
Que bom!!! Assim fica todo mundo feliz!

Depois de se desculpar e me dar passes para entrar em algumas atrações sem fila, o jovem me ajudou a procurar o carrinho que estava em outro estacionamento... segui meu caminho.

Aconteceu ainda uma terceira vez (isso em 5 dias de visita aos parque), vi a jovem empurrando meu carrinho para o sol, e colocando o dela lá. Dessa vez, fui lá e disse em alto e bom tom: Excuse me!!! E coloquei o carrinho de volta. Ela fingiu que não entendeu, mas disse para a companhia dela: Mulher Grossa!!! Eu fui chamada de grossa, dá para entender?

Sim já voltei aos Parques depois desses episódios e pelo menos nas atrações mais populares para crianças há (porque será?) um organizador no estacionamento de carrinhos que fala português.

Falo desse fato, mas acontece ainda o famoso ‘furar de filas’, o ‘empurrãozinho’ para encontrar o melhor lugar para ver o desfile de rua e o falar mal das pessoas (roupas, cabelo, sapatos... ) como se ninguém mais entendesse português.

2. Competitividade. A competitividade é outra coisa interessante. A comunidade de brasileiros se une em eventos de lazer e se você não faz parte do clube dos que amam festa, vai ficar isolada. Não há (na minha percepção) um meio termo, um sentimento de pertença, de nacionalidade... (salvo os jogos da copa)

Nas viagens que fiz percebi que, nem sempre encontrar um brasileiro é sinal de alegria, a não ser que você faça parte do clube... do clube dos ricos, dos que se vestem na moda, dos que bebem, dos que criticam tudo e todos... então nesse sentido, sou uma outsider.

3. Entusiasmo. Tinha quase esquecido como somos entusiasmados pela vida, quase sempre interrompendo a outra pessoa antes dela terminar de falar e nem sempre aceitando argumentos contrários. Felizmente há exceção.

4. A vaga distinção entre público e privado. Obviamente em espaço público há que se respeitar as outras pessoas ainda que não faça parte do seu desejo. Me parece as vezes, que as pessoas esquecem que vivemos em comunidade.

5. Educação. Obrigada, obrigado, por favor, boa tarde... estão se perdendo na nossa fala.

Uma brasileira vendo que meu filho de 4 anos usar constantemente as palavras: thank you, please, excuse me... me disse:
Acho tão aborrecido esse costume dos americanos de agradecer e pedir por favor por tudo.

Eu fiquei em silêncio. Dizer o que? Essa mesma brasileira reclama que sofre preconceito por parte dos americanos porque é brasileira.

Eu particularmente penso que sente uma certa ‘frieza no trato’ por ser considerada uma pessoa rude e não por ser brasileira. Talvez eu seja uma pessoa abençoadamente distraída, mas não lembro de ter sofrido preconceito por conta da cor da minha pele, ou meu sotaque, ou latinidade...

6. Comida. Em tempo: a comida americana é também fast food. Mas como em todo lugar do mundo, o valor da comida está (infelizmente) agregado ao preço que você pode pagar. Na cidade onde moro tem restaurantes cubanos, mexicanos, tailandeses, japoneses, brasileiros, para citar alguns. E os restaurantes americanos? eu particularmente Gosto de Red Lobster, Outback e da fast food KFC.

7. Vestimenta. Gente arrumada encontramos em todos os lugares do mundo. Desarrumadas, ainda mais. O fato é que aqui, dependendo da forma como você se coloca (fala, age, interage), as pessoas se preocupam menos com sua roupa. Não me vejo indo deixar meu filho na escola (morando no Brasil), vestida informalmente. Ainda se percebe em alguns lugares do Brasil: ‘você é o que você veste, e que seja de grifes exclusivas. Pode ser até de mau gosto e de preferência bem caras’.

Não faço parte do time dos ‘arrumados’, me visto com simplicidade e ainda não senti nenhum tipo de preconceito nas lojas, supermercados, restaurantes, escolas...

No Brasil, entrei em um loja... e ouvi da vendedora:

A promoção é aqui! (como já sabia o que queria, terminei minha compra, paguei a vista e sai da loja, mais tarde escrevi para a gerência sugerindo treinamento para as vendedoras.)

Outra vez ouvi:
Só parcelamos em até 3 vezes! (Como eu não havia perguntado, pensei não ter entendido, mas a vendedora frisou o Só parcelamos... mais uma vez)

E ainda:
Temos peças mais baratas!!!

Na verdade o que percebo é que as vendedoras estão tentando ajudar, e querem vender... o que dizem não me aborrece tanto quando a falta de treinamento da gerência das lojas. 

8. Carro. No Brasil sempre dirigi um Ford Ka, carro de minha preferência; fácil de estacionar, de manobrar e limpar. Aqui dirijo um Honda de 7 lugares, como podem perceber me adapto.

Quantas ‘brincadeiras’ ouvi com minha falta ‘de bom gosto’ para carro. A mais aborrecida ouvi de uma pessoa a quem ofereci carona para um evento. Detalhe, ela não estava podendo dirigir e o evento ia ser em um hotel de ‘luxo’ em Fortaleza. Ela disse:

 Eu?!!! Chegar de Ford Ka no evento? Nunca!!! Carro de pobre.

Detalhe que eu sabia... meu Ford Ka era do ano e comprado a vista, o carro dessa pessoa, foi comprado em 60 prestações e ela ainda estava pagando.

Ainda encontramos pessoas que lhe valorizam pelo carro que você dirige, ainda que na verdade, esse carro seja da financiadora.

9. Honestidade. As vezes ser honesto é sinônimo se ser bobo. No Brasil, a coisa se acentua. Aqui há muitos desonestos. A presença desta figura está em todo lugar do mundo, mas normalmente não se exalta essa atitude, é algo velado. No Brasil, percebo, as vezes,  que é motivo de conversa e muita piada.

Quando jovem, fui passar um tempo na Itália. Éramos um grupo de 4 jovens passeando em uma tarde de verão em uma cidadezinha pequena (na região de Toscana). Nos deparamos com uma sorveteria com o Honor System, ou seja, o que você consumir, você paga. Não há uma pessoa na loja, não há câmeras,  o que há é a confiança de que você é honesto. Pegamos cada uma, um gelatto. Na hora de pagar, duas de minhas colegas decidiram pela desculpa: ‘o país é rico, um picolé não vai fazer falta’.

Para mim é claro. Eu consumi, eu vou pagar. Não importa quem é rico, quem é pobre. É uma questão de educação.

Aqui nos Estados Unidos quando morei como estudante as coisas não eram fáceis. O dinheiro era pouco e muitas vezes comi fast food.

Uma colega brasileira me convidou para irmos a um supermercado. Na hora de pagar ela escolheu uma caixa brasileira. Elas tinham um esquema. Nem todos os produtos a moça passava o código de barra, diminuindo assim o número de produtos e consequentemente o valor da compra.

Depois minha colega explicou que podia colocar algumas coisas para mim em seu supermercado. Eu agradeci a gentileza, mas não participaria da lógica, ‘o supermercado é rico’.

Vi e ouvi muitos ‘esquemas’ e não critico a escolha das pessoas, até porque cada uma é livre para agir como quiser. Infelizmente não podemos cobrar da sociedade, o que não damos.

Sim como uma exilada da minha Pátria, por escolha de casamento, sou feliz. Amo o Brasil. A terra, a natureza, a música, a comida, a língua... sinto falta da família, dos amigos, dos colegas, quero que o meu filho fale português e ame o Brasil.

Mas não sinto falta da excessiva familiaridade dos estranhos, da desumanidade disfarçada (normalmente dos mais ricos, mas também das pessoas pobres), do fingimentos dos ‘amigos’; da escolha consciente de ser rude, do desrespeito pela classe trabalhadores, da constante mania de burguesia e for last but not least, das pessoas que reclamam do Brasil e não agem de acordo com suas reclamações. (furam fila, maltratam o garçom, não cumprimentam os colegas de trabalho; levam vantagem sempre que podem, não respeitam horários e acham elegante reclamar de tudo).

Vou seguindo com a esperança de que isso mude e que os brasileiros comecem a viajar mais, reclamar menos e a se olhar com a mesma intensidade com que olham os defeitos dos outros.

Sei que generalizar é a arte do erro. Com esses pontos,  não pretendi comparar os países, as pessoas, mas compartilhar algumas impressões de quem sabe que em todos os lugares do MUNDO há dificuldades.  Cabe a você, a mim, nos adaptarmos.

Enquanto isso, como ‘outsider’ sou feliz aqui. Nunca ‘compreenderei’ totalmente essa cultura, não nasci aqui, não sei as canções de crianças, muitas vezes não entendo quando contam uma piada, estou sempre perguntado, aprendendo... faz parte e não me sinto excluída por não entender de tudo, vejo como uma oportunidade de ler mais, de ouvir mais... Sou brasileira e de lá tenho minhas origens na pele, no coração, na memória.

Aqui, país que vivo, sou feliz, não sei se mais ou menos se morasse no Brasil, pois como diz Mia Couto escritor moçambicano, ‘O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora.’


26 comentários:

  1. Não é a toa que ultimamente temos vividos os maiores escândalos de corrupção da história do país.
    Há quem diga que não tem nada a ver, mas pra mim, não há diferença em sonegar impostos ou até não devolver o troco que veio errado por engano com os desvios de verbas feito pelos governantes.
    O que me faz mal, num contexto geral, é a hipocrisia das pessoas. Falam da honestindade e cristianismo e fazem igual. Eu só falo o que eu vivo. O velho ditado, muito popular aqui no Brasil, que diz "faça o que eu digo, mas não faço o que eu faço" , nunca combinou comigo.
    Lendo esse texto bateu uma vontade de me teletransportar no mesmo instante.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O lado bom Isa é que existem muitas pessoas que, assim como você, honram o nosso Brasil, que fazem o que é correto independente de quem está 'olhando'. Pessoas que valorizam o SER e não o TER. 'Há muita água para passar embaixo da ponte…' e vamos torcer que traga as mudanças dos costumes do 'jeitinho brasileiro'

      Excluir
    2. Que depoimento fantástico Claudia! Passei um tempo em Los Angeles e pude perceber tudo o que você relata neste depoimento. O famoso jeitinho brasileiro continua prevalecendo aqui. E é bem verdade que precisamos de uma nova ordem, um ethos que permite resgatar valores; a corrupção não ´está somente relacionada à politicos, existe uma corrupção social, uma corrupção ligada ao egoismo do ser humano, esse é o mal das pessoas que agem de acordo com seu próprio interesse e em detrimento do resto da sociedade. É preciso cultivar a humanidade, a fraternidade, como diz Leonardo Boff o Universo é um grande útero e somos todos irmãos e faz se mister criar essa consciência.

      Excluir
    3. Diane, concordo com você. Essa corrupção social, é que tem banido a nossa 'brasilidade' dando espaço a comportamentos desviantes. Participo aqui de dois Clubes do Livro, e já ouvi dos colegas perguntas de quem 'sofreu com nosso comportamento', digo nosso porque somos brasileiras. Não vi malícia nas perguntas, apenas desejo de compreender melhor a nossa comunidade. Mas confesso que fiquei com uma ponta de vergonha, por não saber expressar melhor a razão de tanta 'falta de senso comunitário'. Falei dos colegas do Clube do Livro, porque são pessoas que gostam de viajar, ler, apreciam arte, poesia e normalmente tem a mente mais aberta para as nuanças culturais, e nem todos são nascidos nos Estados Unidos. (alguns vieram do Vietnam, Russia e França)

      Excluir
  2. Professora, li com atenção seu texto. E afirmo com convicção: só li verdades. Não são apenas mente os políticos brasileiros os corruptos. A sociedade brasileira tem a corrupção arraigada em si, nos menores atos. Os exemplos foram dados, a extrema necessidade de levar vantagem em tudo, o desrespeito ao próximo, a dificuldade em assumir os seus próprios erros. Eu acho admirável a cultura americana, nesse sentido. Mais admirável ainda é a sua postura professora, em superar os desafios e de se inserir numa cultura estrangeira, sem perder a verdadeira brasilidade. Um abraço de seu ex-aluno, e parabéns pelo êxito em todas as suas missões!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada Romulo, não só pelas palavras, mas por deixar em mim um sentimento de esperança. Pessoas como você, conscientes do ambiente em que vivem, são capazes de fazer grande diferença no mundo. Sabemos que as batalhas são muitas, mas vamos fazendo a nossa parte e seguindo em frente. Um grande abraço e obrigada pela gentileza em trocar ideias.

      Excluir
  3. Lamentável como o brasileiro é um narcisista infeliz, denegrindo a si mesmo por onde anda... Há poucos dias estava assessorando uma pessoa para um visto e ela comentou que da última vez que havia ído ao Consulado para entrevista tinha sido muito humilhada esperando do lado de fora no sol quente e, no entanto, sorriu ao contar que em uma de suas viagens, fora às compras e achou incrível ter sido tão bem atendida por uma vendedora negra que, na certeza dela, deveria ter passado por um treinamento especial e porque não, pasmem, personalizado!!! Pra encurtar a história, disse a ela que treinamentos são importantes e que eu só estava ali devido um treinamento e que talvez eu não arranjasse um emprego numa loja americana sem o devido preparo... pra bom entendedor... Mas citando Rousseau, tadinho, seu Contrato Social aqui é apenas um belo capítulo de livros, esquecido e que, vez ou outra, é lembrado nas salas de 'algumas' universidades.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cris, você sabe o quanto admiro a sua postura de vida e a educação que passa pra suas filhas; seus comentários são pertinentes e bem vindos. Como brasileira e turismóloga, acredito que tenha se deparado com algumas situações bem bizarras, mas vamos seguindo na esperança de que a arrogância de alguns vá sendo substituída pelo bom senso!!! Um grande abraço e obrigada pela amizade.

      Excluir
  4. Adorei o seu texto,Claudia McClure Parabéns por tudo que és! E Obrigada por compartilhar e nos ensinar tantas coisas boas com sua brilhante sensibilidade e inteligencia. Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sua gentileza me encanta sempre Barbara! Saiba que você é uma das BRASILEIRAS que redime o nosso país. Por isso e por tantas outras coisas, Obrigada.

      Excluir
  5. Excelentes colocações Claudia....infleizmente eu tambem evito falar portugues em minhas viagens justamente para evitar constrangimentos, pois a maioria dos turistas brasileiros não sao exatamente um primor de educação. Nosso país sofre de uma falta de educação "galopante". Como voce mesma disse, nao se pode generalizar, mas nao vejo nem a medio,nem a longo prazo melhorias para nosso país. Grande parte da população vive em absoluta miseria moral, a eu ver pior do que a miseria social, pois se existe noção dessa ultima, pode-se ver uma luz no fim do tunel....mas nao temos mais luz, nem mesmo tunel. Infelizmente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Gostei da colocação 'miséria moral', porque somos um país rico, com renda mal distribuída, é verdade, mas rico! O problema é que os 'ricos' do nosso país não se incomodam de incomodar os outros. E como são acostumados a 'mandar' e a ter 'tudo nas mãos' quando viajam, querem que os funcionários de hotéis, restaurantes, lojas, os tratem como reis… e sabemos que não funciona assim. Daí vem as reclamações. Obrigada pelo seu comentário!

      Excluir
  6. Pior é quando brasileiros mudam de país e querem que toda uma nação se acostumem a eles, nem sei o que dizer quando vejo isso acontecendo. Faço parte de um grupo ~brasileiros em montreal~ e é vergonhoso as coisas absurdas que rolam por lá. Um dia um cara disse que a policial era grossa pq gritou com ele na frente das filhas depois que ele atravessou a faixa de pedestres na contagem e disse que a guarda deveria ser flexivel e não cobrar a multa dele. Obvio que ela foi grossa, leis são leis. Não é o país que tem que se adequar a você é você que tem que colocar a viola no saco, trabalhar a humildade e se adaptar a eles.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Os exemplos seriam por essa via mesmo Ana Carvalho, o desejo que o mundo se adapte a nossa 'brasilidade', você colocou muito bem. Infelizmente o que temos conseguido com essa postura é sermos conhecidos como 'mal educados' e 'sem senso de comunidade'. O lado bom é que há muitos brasileiros que 'salvam a pátria'. Só nos resta torcer que eles se multipliquem.

      Excluir
    2. Aprendi muita coisa nesses 2 anos vivendo na Argentina, mas o mais importante foi ter aprendido a ser gentil com as pessoas, respeitar as diferenças e a dançar conforme a música. A partir do momento que você resolve sair do seu país para ir ao país de outra pessoa, você tem que entender que tem que respeitar REGRAS e a ACEITAR os costumes! Quando você vai de visita na casa de alguém, você tem que respeitar a rotina da casa, não é? Mesma coisa de trocar de país. Aqui na Argentina tem muitos americanos e eles sempre reclamam de muitas coisas principalmente da burocracia infinita e da falta de agilidade das coisas e começam a comparar com os EUA. o que eu sempre digo é "Você está na America do Sul, você não pode comparar costumes e etc, com o que vocês tem. Aqui os teus costumes e como as coisas funcionam no teu país não significam nada. Não é dificil ser Americano em um país latino americano, É DIFICIL SER ESTRANGEIRO EM QUALQUER LUGAR!"

      Excluir
    3. Sim, os desafios são muitos… e você colocou bem, 'é difícil em qualquer lugar', por isso algumas pessoas se adaptam e outras não. O Desafio de sair 'da zona de conforto' deve ser considerado, antes de arrumar as malas e partir. Um exemplo simples: aqui babá custa caro, muito mais caro do que a boa babá do Brasil; diarista custa caro, cobram pelo tamanho da casa, muito mais caro que a boa diarista do Brasil; Comer fora (sem ser fast food) custa caro; Taxi custa caro; Qualquer coisa relacionada a área de saúde custa muito caro… assim, uma pessoa que tem tudo isso no Brasil deve pesar as possibilidades antes de planejar a mudança de país… não é só a língua e os costumes que devem ser considerados… os 'estilo de vida' também deve ser pensado. Um grande abraço.

      Excluir
  7. Li seu texto Claudia, adorei como tudo que você escreve e posta, estou sempre aprendendo com você...
    E... Me sinto tão triste, de ver que existem tantas pessoas sem a mínima condição de parar um momento e "pensar" um pouco, no que está fazendo, no que está dizendo, de pelo menos tentar se colocar no lugar da outra pessoa...
    "Não vou fazer isso, porque eu não gostaria que fizesse comigo".
    Sei que tenho muito que aprender.
    Amo meu País, mas as vezes sinto vergonha de ser Brasileira...
    Você é muito DEZ!!! Bju

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Minha querida amiga Eliana, eu nunca vou esquecer do dia em que você e o Antonio, foram ao aeroporto de São Paulo para me ajudar com as bagagens e compartilhar algumas horas de boa conversa e café brasileiro (o melhor do mundo). Essa é a gentileza característica do nosso povo, e você é um perfeito exemplo. Eu é que agradeço a sua amizade e a sua luta diária para fazer do nosso Brasil, um lugar melhor.

      Excluir
  8. Lindas e verdadeiras afirmações, amiga.
    Por aqui está tudo muito difícil, em todos aspectos
    Mas confiemos em Deus
    E façamos nossa parte em pelo menos apontar/expressar as injustiças...
    Fica com Deus
    Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tão bom 'ver' você aqui Roberta! Sua gentileza é sempre tão bem vinda. Obrigada pela amizade e vamos sim fazendo a nossa parte, quem sabe um dia seremos muitos.

      Excluir
  9. Texto maravilhoso professora! Infelizmente a ignorância do povo brasileiro vem alcançando níveis crônicos e isso não está ligado a uma classe social específica, se tornou algo generalizado. O comportamento consumista e narcisista da classe média brasileira me envergonha, estamos construindo um país cada vez mais egoísta para a futura geração, não há um sentimento de nação, de pátria, o que existe é o sentimento individualista, de viver o luxo e morrer o bucho, como dizem por aqui. O engraçado é que o brasileiro se acha o receptível, o alegre, o simpático, mas isso na prática não existe, só tratamos bem quem selecionamos ou quem somos obrigados por algum nível hierárquico, a verdade é que temos uma enorme dificuldade em ser cordiais, iguais, aquele papo de fazer bem se ver a quem não existe aqui, pois primeiro olhamos o sujeito dos pés a cabeça (outro comportamento abominável), pra depois julgarmos o nível de simpatia a ser doado. Triste!

    ResponderExcluir
  10. Muito bom o texto, sensacional e coerente! Infelizmente existe tudo que você falou na postagem em dobro, iria dar um livro de casos absurdos! Mas tudo refleti a educação que tiveram ou o que os nossos representantes fazem a frente do BRASIL . É quase impossível ser politicamente correto aqui, você sempre vai ter que se obrigar a participar de coisas que muita vez não concorda, tento ao máximo , mas é complicado, parece que corrupção está no DNA de muitos, poucos se salvam, e você é uma dessas pessoas que a companhia vale ouro! desse grupo que se 'passa' e comete inúmeras coisas erradas, aprendi a observar mais, porque se você for fala algo pode levar um palavrão ou coisa pior, muitos não tem a coragem de assumir suas responsabilidades! Tenho poucos amigos que não se importam com 'roupa' ou lado financeiro de minha pessoa. As vezes acho que nasci na geração errada, mas como você, tento ajuda a melhorar isso por mais que seja impossível e trabalhoso.. Enfim, mesmo com tudo isso, tenho amor ao Brasil, amo a natureza, as belezas naturais que infelizmente estão se perdendo, a cultura que não se ligam mais, o importante é o dinheiro pra muitos, o País vive sim ainda um desigualdade social, falta extrema de ética, amor, moral, é casos de preconceito, corrupção batendo na nossa cara toda hora infelizmente e que as vezes penso ' como? como assim? Mas cadê a justiça? Educação? Dialogo? O senso de amor? '. Muito bom Claudia, vou divulga esse texto pra amigos e nas minhas paginas, merece uma reflexão e atenção para isso! Obrigado pela postagem, fez minha mente abrir mais e me fazer refletir sobre isso!! O que você falou é o que muitos ainda não viram ou se viram não querem admitir ou falar sobre, então vamos viver né?! Tem muitas coisas boas na vida, tem amigos bons, livros e varias outras coisas pra se divertir, Espalhar o amor sempre, já tem tantas coisas ruins por aqui.. 'Reclamar e cobrar não muda, perdi a fé em varias coisas do Brasil, é de mal a pior, é a realidade. :| Por essas e outras que o sonho de alguns como eu é sair do Brasil .. #PartiuUSA

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Gostei muito do seu comentário Mikael, sei que as coisas não são fáceis para quem é jovem, politizado e honesto. Mas também sei que você é uma pessoa de muito valor e vai conseguir conquistar seu lugar nesse mundo, sem ter que recorrer aos subterfúgios de quem não respeita o direito do outro. Agradeço desde já a sua divulgação e fico feliz em saber que mesmo diante das dificuldades continua acreditando 'em dias melhores pra sempre'!!!

      Excluir
  11. Mike concordo com você, e uso o termo de um dos comentários. A 'miséria moral' não está ligada a uma classe específica, infelizmente tem se generalizado. Vejo pessoas fazerem sacrifícios grandes para comprar coisas que nem sempre podem pagar; a onda do 'viva o luxo' tem se acentuando. E ah como gostei do que você disse sobre a nossa cordialidade dirigida somente a quem nos interessa. Que coisa triste, que coisa desumana… Sua percepção me fez pensar mais sobre esses aspectos, obrigada!!! Tenho grande admiração por você!

    ResponderExcluir
  12. Sensacional, Claudia!
    como falamos aqui no brasil.. #TamoJunto

    Com toda certeza estamos nessa mesma busca de um 'mundo melhor'.. quem sabe no futuro isso mude...não sabemos se pra pior ou pra melhor. heheh
    porem, o importante é que construamos esse 'novo mundo' no nosso presente.
    Obrigada por compartilha cada gesto bom que fizeste, mesmo sendo 'xingada' .


    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu agradeço a sua gentileza Naiane! E sim sigamos com esperança de dias melhores para o nosso país, para o mundo.

      Excluir

Cartas de Amor de Uma Santa ~ Gianna Beretta

Vale a leitura desse livro. Coletei algumas citações que compartilho com vocês: “O Segredo da felicidade é de viver  momento a moment...