06 junho 2015

Sonhos ~ Isabelly Ferreira

As notícias do lado de cá são tristes, mas da tristeza nascem os poemas, as poesias, as narrativas… então com a alma de poeta escrevo essa descrição da alma para compartilhar meu pensamento… compartilhar com quem? você deve estar se perguntando, a que eu respondo: “tem sempre algum ser disposto a participar da experiência do outro, garanto a você, seja por empatia ou por descaso”. 
Nada aconteceu como desejado. tudo aconteceu na velocidade de um cometa que passou, deixou um rastro de luz, logo seguido de escuridão, com a esperança de que a luz que foi vista volte a brilhar. Fiquei com a alma dilatada para o novo e agora aguardo ansiosa que esse vazio seja preenchido. 
O acontecimento? mudar de lugar… só as pessoas acomodadas a suas rotinas não gostam de mudanças… eu ao contrário amo e anseio por diferentes “mundos”. Faz parte da minha mente e do meu coração. Esse coração se acostumou com essa ideia e se recusa a ser encarcerado na rotina que agora parece me aprisionar. 
Não pude mudar ainda, mas vou fazer novas tentativas, afinal quem não tenta corre o risco de nunca conseguir. Vou recomeçar, ainda que lentamente, abalada pelo sonho desfeito, e com saudade das lembranças que quase vivi. 
Preciso encontrar os pedaços do quebra cabeça que já tinha concluído na minha ânsia de realizar a imagem que vi das peças conectadas. Agora estou triste, mas essa tristeza faz parte de uma vida de sonhos realizados ou não. Só sente tristeza quem sente a alegria da busca. Minha mente com pensamentos sombrios vai de um a mil em fração de segundos, mas depois da exaustão dessas ideias que se passam agora, tenho certeza a de que me acalmarei. 
Preciso dizer que nesse processo conheci pessoas extraordinárias e porque não dizer pessoas ordinárias… mas porque me ocupar do ordinário, se tenho o extraordinário… algumas pessoas entram nas nossas vidas como mentoras, amigas, irmãs… e fica fácil entender a beleza da amizade quando pensamos nesses seres, a quem deixo explicito o meu obrigada em uma velada descrição. 
Deixo aqui a voz de Clarice Lispector, nos falando sobre SAUDADES.
.. 

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.

 Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,

 quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,

 eu sinto saudades. Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,

 de pessoas com quem não mais falei ou cruzei…

 Sinto saudades da minha infância,

 do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,

 do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser…

 
Sinto saudades do presente,

 que não aproveitei de todo,

 lembrando do passado

 e apostando no futuro…

 Sinto saudades do futuro,

 que se idealizado,

 provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser. Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!

 De quem disse que viria

 e nem apareceu; 
de quem apareceu correndo,

 sem me conhecer direito,

 de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

 
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!


 Daqueles que não tiveram
 como me dizer adeus;

 de gente que passou na calçada contrária da minha vida

 e que só enxerguei de vislumbre!

 Sinto saudades de coisas que tive

 e de outras que não tive 
mas quis muito ter!

 Sinto saudades de coisas
 que nem sei se existiram.

 Sinto saudades de coisas sérias,

 de coisas hilariantes,
 de casos,
 de experiências…

 
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia 
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!


 Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!


 Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,


 Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,

 sem curtir na totalidade.


Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que…
não sei onde…
para resgatar alguma coisa que
 nem sei o que é e nem onde perdi…

 Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades

.
Em japonês, em russo,
 em italiano, em inglês…
mas que minha saudade,
 por eu ter nascido no Brasil,

 só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.


 Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,

 espontaneamente quando
 estamos desesperados…
para contar dinheiro… fazer amor…
declarar sentimentos fortes…
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

 
Eu acredito que um simples
 'I miss you' ou seja lá
 como possamos traduzir saudade em outra língua,

 nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.


 Talvez não exprima corretamente 
a imensa falta
 que sentimos
 de coisas
 ou pessoas queridas.

 E é por isso que eu tenho mais saudades…
Porque encontrei uma palavra 
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
 meio nostálgico, meio gostoso,

 mas que funciona melhor
do que um sinal vital 
quando se quer falar de vida
 e de sentimentos. 
Ela é a prova inequívoca
 de que somos sensíveis!
 De que amamos muito
 o que tivemos 
e lamentamos as coisas boas 
que perdemos ao longo da nossa existência…

Esquecer o Natal ~ John Grisham

Luther e Nora, deixam a filha Blair no aeroporto. Blair vai passar dois anos no Peru, ajudando crianças indígenas em uma escola local. Em...