07 março 2015

A HISTÓRIA SECRETA ~ Donna Tartt

Essa é uma história que fica na memória por um longo tempo. A forma como Donna Tartt escreve me fez imergir na vida dos personagens quase como se os conhecesse pessoalmente. A história é contada devagar, mas há tanta complexidade que a lentidão é apropriadamente bem vinda.

A autora consegue recriar o sentimento e a atmosfera de um grupo que descobre o que significa matar um amigo e as consequências que se dá na consciência de cada um deles entre o medo de ter o segredo descoberto, e o sentimento de necessidade do crime em si. 

Para quem aprecia a literatura grega o livro é fantástico, com boas citações e mistura perfeita entre um texto moderno e um texto clássico.  A forma como a história vai se dando pode ser compreendida em um misto de tragédia grega e novela criminal moderna.

Há o mesmo toque de poesia e drama psicológico que tem acompanhando os livros de Donna Tartt, todavia esse é o meu livro favorito de Tartt.

Quem conta a história é Richard Papen, aluno bolsista da Universidade de Hampdem em Vermont. Richard é aceito pelo círculo mais privilegiado daquela universidade. Ele passa a fazer parte dos grupo de cinco alunos, sofisticados e originais, selecionados por um mestre erudito e carismático, dedicados ao estudo da literatura e língua Grega.

Para mim uma obra prima:
Richard Papen, no prólogo, nos fala sobre um assassinato ‘pelo qual ele foi parcialmente responsável’. E ficamos nos perguntado como aconteceu? É a revelação predominando sobre a surpresa.

Ela expressa o que há muito tempo insisto: Há pouco o que se compare com a beleza da literatura grega. E para quem também gosta de Filosofia grega Homero e Platão é bem representado, sem falar nas citações em Latim e Grego essas línguas de grande riqueza linguística.

Algumas impressões finais do texto:

Há o clássico narrador. Amigável e ao mesmo tempo frustrado, sem suporte familiar ou mesmo simpatia, chega na Universidade em busca de uma vida melhor intelectualmente e materialmente.

Constantemente somos lembrados da Beleza, seja humana, natural ou poética. Mas não a beleza vista pelos olhos, mas a beleza interna. Donna Tartt expressa como a beleza é importante, ainda que não falemos sobre ela. ‘Kalepa ta kala’. Beauty is harsh. O belo é difícil, O difícil é belo. A primeira sentença que aprendi em grego foi o motto de Richard no livro. Só lembrando o que Fiodor Dostoievski disse em sua obra O Idiota: A beleza salvará o mundo!

Nietzsche, já expressava que a tragédia grega era uma explosão de dualidade ente Dionísio e Apolo. Dionísio, simbolizando a natureza, os excesso, o irracional. O culto a Dioniso, na antiga Grécia, aparece ligado a orgias e festividades com música, dança e muita bebida. Apolo é o contraponto de Dionísio. É o símbolo da ordem, medida, proporção, forma. Os pupilos do Mestre Julian, vão aprender sobre os perigos dessa aliança entre Dionísio e Apolo.

Quem se aventurar nessa leitura fará uma boa trajetória literária, interna e externa. 




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